LOST, Deus e o problema graça/justiça
Usando a mitologia da série LOST, Amy Hall nos mostra como Deus conciliou a graça e a justiça na cruz de Cristo. Related posts:
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Mandaram o genérico
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Por Renato Vargens

Um Amigo me compartilhou essa semana que uma Igreja muito pobre se cotizou para receber um determinado ministério de música de uma conhecida igreja do Rio de Janeiro. O valor pedido pelo "ungido" ministério era bem alto, o que fez com que aquela pequenina comunidade se individasse toda. No dia marcado, eis que surge a banda disposta a "louvar" o Senhor. No entanto, o que a igreja não imaginava é que o vocalista do grupo, em questão não era exatamente o que eles esperavam. Ele até se vestia igual, cantava igual e tinha uma certa aparência com o líder da banda, mas não era ele, e sim um substituto. A banda se desculpou dizendo que o famoso cantor tinha um outro compromisso numa GRANDE igreja do Rio de Janeiro e por isso enviaram o "genérico".

Caro amigo, infelizmente em nome de Deus os denominados cantores gospel criaram uma verdadeira indústria. Alguns destes possuem o ultraje de cobrar R$ 35.000,00 por show. Ora, isso é uma verdadeira aberração! Em um país de gente miserável e pobre, a igreja em vez de saciar a fome daqueles que anseiam por justiça e comida, comercializa a fé?

Sinceramente esses cantores que se dizem vocacionados deveriam abrir mão dos cachês nababescos e viver como qualquer servo de Deus. É bem possível que ao ler a esta afirmação talvez você esteja pensado com seus botões: “Há, mais eles precisam viver, é certo que recebam!” Claro que é justo que recebam uma oferta como qualquer ministro cristão, todavia, existe uma diferença significativa entre receber uma oferta e cobrar milhares de reais por apresentação. Se não bastasse isso, tais cantores se locupletam de uma glória que não lhes pertencem, tomando para si a honra que pertence ao Senhor das nossas vidas.

Pois é, como já escrevi inúmeras vezes esta historia de artista gospel é uma verdadeira vergonha. Afirmar que seus shows fazem parte de um ministério cristão é no mínimo afrontar o conceito bíblico de serviço. Isto posto, repudio veementemente os que em nome Deus se locupletam da fé publica cobrando valores imorais por seus shows e apresentações.

Que Deus tenha misericórdia desta geração!

Renato Vargens
Fonte: [ Blog do autor ]

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Fazendo o bem quando existe ódio – John Piper

Os milagres de Jesus nem sempre resultaram em fé salvadora. Alguns de seus contemporâneos ficaram mais impressionados com seu poder que com sua pessoa. A certa altura, os irmãos de Jesus demonstraram mais interesse pela aclamação pública recebida por "Jesus que pela beleza espiritual revelada em seus milagres. Eles tentaram torná-lo mais popular por causa de seus milagres em Jerusalém: "Ninguém que deseja ser reconhecido publicamente age em segredo. Visto que você está fazendo estas coisas, mostre-se ao mundo". O texto traz este complemento: "Pois nem os seus irmãos criam nele" (João 7.4,5).

Portanto, até o ministério de cura se enquadra no mandamento: “Façam o bem aos que os odeiam". Façamos uma pausa para assimilar esse mandamento. "Odiar" é uma palavra muito forte. Pense no que significa ser odiado e em como você se sentiria. Depois, reflita no ato maravilhoso de fazer o bem a quem o odeia. Jesus conhecia o significado de ser odiado (Lucas 19.14; João 7.7; 15.18,24,25) e deu a vida por todos os seus inimigos que porventura aceitassem seu amor. Quando disse: "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos" (João 15.13), Jesus não estava medindo a grandeza de seu amor pelo fato de morrer por seus amigos, e sim por fazer isso de livre vontade. Ao referir-se aos amigos, quis dizer que o propósito de sua morte para retirar a ira de Deus (João 3.14,15,36) e perdoar pecados (Mateus 26.28) só seria sentido por aqueles que no momento eram seus inimigos, se um dia deixassem de lado a inimizade e se tornassem seus amigos.

Jesus deixou claro que, assim como ele foi odiado, nós também seremos se o seguirmos. "Todos odiarão vocês por minha causa, mas aquele que perseverar até o fim será salvo" (Mateus 10.22). Disse também que o sofrimento seria maior ainda, porque o ódio partiria de ex-amigos: "Naquele tempo muitos ficarão escandaliza¬dos, trairão e odiarão uns aos outros" (Mateus 24.10). Pense nas emoções que afloram em seu coração quando alguém o odeia, profere mentiras a seu respeito e o ofende. A maioria de nós se sente no direito de revidar. Jesus ordena que nosso coração seja mudado. Poderá haver indignação legítima, mas o coração precisa desejar o bem de quem nos odiou e "fazer o bem" a ele. Nosso amor poderá resultar em arrependimento no coração de quem nos odiou, mas também a reação dele pode ser de desprezo (como ocorreu com o amor de Jesus). Isso, todavia, não é problema nosso. Jesus diz: "Façam o bem aos que os odeiam".

Útil como Daniel - C. H. Spurgeon

Compreendes o que vens lendo? Atos 8.30

Seríamos melhores professores para os outros e provavelmente seríamos menos levados ao redor por qualquer vento de doutrina, se tivéssemos um entendimento mais inteligente da Palavra de Deus. O Espírito Santo é o autor da Escrituras. Somente Ele pode nos iluminar para entendê-las corretamente. Por conseguinte, deveríamos orar constantemente suplicando seu ensino e orientação em toda a verdade. Quando o profeta Daniel prometeu interpretar o sonho do rei Nabucodonosor, ele orou intensamente para que Deus lhe revelasse a visão (ver Daniel 2.16-23).

O apóstolo João, em sua visão na ilha de Patmos, contemplou um livro selado com sete selos que ninguém era digno de abrir. Depois, esse livro foi aberto pelo Leão da tribo de Judá. Porém, antes, João escreveu: "Eu chorava muito" (Apocalipse 5.4). As lágrimas de João foram a sua oração em forma líquida. Elas foram as chaves sagradas que abriram o livro selado. Se para seu próprio benefício, ou para o de outros, você deseja ser cheio do pleno conhecimento da vontade de Deus, "em toda a sabedoria e entendimento espiritual", lembre-se de que a oração é o melhor caminho para o estudo.

Assim como Daniel, você entenderá o sonho e sua interpretação, quando tiver buscado a Deus. As pedras não são quebradas exceto pela utilização incansável do martelo. Aquele que as despedaça tem de ajoelhar-se. Utilize o martelo da diligência e exercite o joelho da oração. Pensamentos e argumentações constituem o martelo de aço que bate sobre a verdade. A oração é a alavanca que força a caixa de ferro do mistério sagrado. Assim, poderemos conseguir o tesouro que está oculto em seu interior.
Sofrendo pela Verdade - João Calvino

Por cuja causa sofro também essas coisas ( 2Tm 1.12). Sabe-se sobejamente que o furor dos judeus, inflamado contra Paulo, era mais por esta causa do que por qualquer outra, ou seja, por ele ter dado aos gentios uma participação comum do evangelho. Por cuja causa se refere a toda a passagem precedente, e não deve ser restringida só à última frase sobre os gentios. Então apresenta dois argumentos a fim de impedir que sua prisão de alguma forma trouxesse prejuízo à sua autoridade. Primeiro, ele mostra que a causa de sua prisão, longe de ser uma desgraça, era-lhe, ao contrário, uma honra, visto que fora aprisionado não por algum mau procedimento, mas porque obedecera ao chamado divino. É-nos um inaudito conforto quando podemos receber os injustos juízos humanos com uma consciência íntegra. Segundo, ele argumenta que não há nada de vexatório em sua prisão, já que sua esperança é que haveria um resultado feliz. O homem que se vê armado com tal defesa pode com certeza vencer as grandes provações, por mais graves que sejam. E ao dizer, não me envergonho, ele usa seu próprio exemplo para encorajar outros a demonstrarem a mesma ousadia.

Porque sei em quem tenho crido. Eis aqui o único refúgio para onde todos os crentes devem fugir quando o mundo os condena como perdidos e infelizes, ou seja, que devem ter por suficiente o fato de poderem contar com a aprovação divina; pois o que seria deles caso depositassem nos homens sua confiança? Desse fato devemos inferir que há grande diferença entre a fé e a mera opinião humana. A fé não depende da autoridade humana, tampouco é uma confiança hesitante e dúbia em Deus; ela tem de estar associada ao conhecimento, do contrário não será bastante forte contra os intermináveis assaltos que Satanás lhe faz. O homem que, como Paulo, possui tal conhecimento saberá de experiência própria que nossa fé é corretamente chamada "a vitória que vence o mundo" [1 Jo 5.4], e que Cristo tinha boas razões para dizer que "as portas do inferno não prevalecerão contra ela" [Mt 16.18]. Tal homem será capaz de repousar tranqüilamente mesmo em meio às tormentas e tempestades deste mundo, visto que alimenta uma confiança inabalável de que Deus, que não pode mentir ou enganar, falou, e o que ele prometeu, certamente o cumprirá. Por outro lado, o homem que não tem essa verdade indelevelmente gravada em sua mente será sempre movido de um lado a outro como um arbusto agitado pelo vento. Esta passagem merece nossa detida atenção, pois ela explica de uma forma muitíssimo excelente o poder da fé, quando demonstra que, mesmo em casos extremos, devemos glorificar a Deus por não duvidarmos que ele se manterá verdadeiro e fiel e por aceitarmos sua Palavra com a mesma certeza como se Deus mesmo surgisse do céu diante de nós. O homem carente de tal convicção nada entende. É preciso que tenhamos sempre em mente que Paulo não está a filosofar no escuro, senão que, com a própria realidade diante dos olhos, está solenemente declarando o grande valor daquela confiante certeza da vida eterna.

E estou convicto de que ele é capaz. Ainda que a violência e a extensão dos perigos que nos cercam amiúde nos lancem em desespero ou, no mínimo, conturbem nossas mentes, temos de estar armados com a defesa de sabermos que há no poder de Deus proteção segura para nós. Portanto Deus, ao ordenar-nos que sejamos confiantes, usa este argumento: 'Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar" [Jo 10.29]. Com isso ele quer dizer que não corremos perigo algum, já que o Senhor que nos recebeu em sua proteção é infinitamente capaz de resistir a todos eles. Nem mesmo Satanás ousaria insinuar diretamente a idéia de que Deus é incapaz de cumprir o que prometeu, porquanto nossas mentes recuariam diante de tão nefanda blasfêmia; mas ao desviar nossos olhos e mentes para outras coisas, ele desvia de nós todo o senso do poder de Deus. Portanto; nossa mente deve estar completamente limpa, caso queiramos não só experimentar tal poder, mas também reter a experiência dele em meio às tentações de todo gênero.

Sempre que Paulo fala do poder de Deus, é preciso entender por essa idéia o seu poder real ou eficaz [energoumenen], como ele mesmo o qualifica em outro lugar [Cl 1.29]. A fé sempre conecta o poder de Deus com sua Palavra, a qual não deve ser definida como algo remoto ou à distância, mas, sim, como algo interior do qual estamos de posse. É por isso que o apóstolo diz de Abraão em Romanos 4.20: "Não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus."

Guardar o meu depósito até àquele dia. É bom observar a forma como ele descreve a vida eterna: o depósito que lhe fora confiado. Daqui aprendemos que a nossa salvação está nas mãos de Deus, precisamente como um depositário que conserva em sua guarda a propriedade que lhe fora confiada para a proteger. Se a nossa salvação dependesse de nós, ela seria constantemente exposta a todo tipo de risco; mas, ao ser confiada a um guardião tão capaz, ela fica fora de todo e qualquer perigo.
Cristo na Cruz
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A apostasia subiu além das nuvens
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Em minha época de estudante de Teologia havia algo muito característico entre alguns de nós: as “novidades” teológicas. Na realidade, não eram novidades para os mais experimentados, mas para nós, alunos iniciantes, sim eram novidades.

Estávamos sempre prontos para discutir e defender posições. Participar daquele processo fez desenvolver a capacidade de aceitar a confrontação e formar a mente teológica de muitos.

Era comum naqueles torneios encontrar defensores - muitos eram crentes mesmo – de posições sem se submeterem ao crivo criterioso da Hermenêutica. Raramente o coração estudantil permitia-se ao Espírito de Deus conduzi-lo à verdade. Em regra geral os desvios doutrinários provinham da aplicação de métodos inconsistentes utilizados na abordagem dos textos sagrados.

Refutávamos o humanismo arminiano, a aniquilação pós morte, a descida de Cristo ao inferno e outras modas com a leitura compartilhada de textos. Comparando coisas espirituais com coisas espirituais. O problema nunca esteve no texto, na verdade do Senhor, mas sim, no coração do jovem herege e nas nossas deficiências pessoais em exaltar o Altíssimo na grandeza devida.

Tudo fazíamos em nome da preservação da sã doutrina e dos conselhos eternos do nosso Deus. Vivia-se intensamente as delícias das Escrituras na companhia dos santos: Owen, Puritanos, Ryle, Pentecost, Hoekema, Spurgeon, Pink. L. Jones, Berkof, Tozer e tantos outros.

Hoje, passados alguns anos, minha deficiência em exaltar o Altíssimo na dimensão devida permanece. Como também a questão do método continua, e fornece toda a lenha para movimentação e crescimento da apostasia.

Ferve na veia apóstata o fulgor das conquistas, o encanto desmedido, as paixões malditas. Não há inocência da parte deles, satanicamente desenvolvem suas doutrinas em oposição ao nosso Deus.

Deste coração em trevas apto a exaltação pessoal, movido pela arrogância e ambição, fluem as intenções de aproximação do Senhor, e como satanás, tramam ser semelhantes ao Altíssimo.

A licitude vem da autonomia dos pensamentos, das obscuras intenções à revelia do Santo.

"Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo." (Isaías 14:14)

Subiram, e subirão ainda mais, além das nuvens do mundanismo, do secularismo, do pecado...

O Senhor conhece todas as coisas e sua justiça inundará toda a terra.

"Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações!" (Isaías 14:12)

A Ele honra, glória e louvor de eternidade a eternidade.

Autor: Paulo Brasil
Fonte: [ Através das Escrituras ]

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De pecadores mortos a santos ressuscitados
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Porque pela graça sois salvos, por meio da fé;
e isto não vem de vós, é dom de Deus
(Ef 2:8)

INTRODUÇÃO

Na primeira mensagem dessa série, lemos que Paulo escreveu a santos e fiéis em Cristo. Santos significa separados para Deus e fiéis quer dizer crentes em Jesus. Porém, a Bíblia diz que "todos pecaram e separados estão da glória de Deus" (Rm 3:23). Diz também que "o salário do pecado é a morte" (Rm 6:23). Como então pecadores mortos passam a ser santos vivos? É esse processo que Paulo explica na passagem que iremos meditar nesta noite.

Na primeira parte do capítulo primeiro, Paulo fala do planejamento da nossa salvação pelo Pai, do provimento dos meios para nossa salvação pelo Filho e da execução dessa salvação pelo Espírito Santo. Agora Paulo se detém a explicar o que aconteceu na prática com cada pessoa que experimentou a salvação de Deus, de como elas passaram de defuntos espirituais a novas criaturas em Cristo.

Você precisa apreciar, valorizar o que recebeu de Cristo. Mas para isso, precisa considerar tr~es coisas: que você estava morto e separado de Deus, que você foi vivificado em Cristo e que tudo isso foi feito exclusivamente pelo Espírito Santo.

I ESTANDO VÓS MORTOS EM OFENSAS E PECADOS, 2:1

Tudo começou com nosso primeiro pai, Adão. Ele recebeu uma ordem de Deus, não poderia comer do fruto da árvore no meio do jardim. Deus havia sido bem claro: "De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gn 2:16-17). Desde Adão, todos os homens nascem mortos espiritualmente, pois "como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram" (Rm 5:12).

Paulo apresenta as provas dessa morte espiritual, ao dizer que

1. Andávamos "segundo o curso deste mundo", 2:2a

Os padrões do mundo são opostos à Lei de Deus. Existe uma incompatibilidade, que a Bíblia chama de inimizade entre o mundo e Deus, a ponto de que se alguém quer ser amigo do mundo, torna-se inimigo de Deus. E de fato, a forma como andávamos anteriormente fazia de nós inimigos de Deus (Rm 5:10)

2. Andávamos "segundo o príncipe das potestades do ar", 2:2b

Como "todo o mundo está no maligno" (1Jo 5:19), andar segundo os rudimentos do mundo é, em última análise, fazer a vontade do Diabo. Mesmo sem saber, quem está no mundo faz a vontade do Diabo e não a vontade de Deus. Pois quem opera neles não é o Espírito santo, mas "espírito que agora opera nos filhos da desobediência" (2:2).

3. Andávamos "nos desejos da nossa carne", 2:3

Além de nos conformar com o mundo separado de Deus, de agir sob influência do Diabo, também nos entregávamos à concupiscência de nossa carne, "fazendo a vontade da carne e dos pensamentos" (2:3). Quando Adão pecou, ele arruinou a nossa natureza, que ficou corrompida pelo pecado. Passamos a ter uma vontade contrária á vontade de Deus, de modo que até mesmo nossos pensamentos tornaram-se pecaminosos.

Era assim que andávamos, como amantes do mundo e inimigos de Deus, dominados pelo espírito maligno e não pelo Espírito Santo e servos de nossa vontade caída e não da vontade santa de Deus. Isso fazia de nós "filhos da desobediência" e "filhos da ira". Por nossa desobediência estávamos destinados à ira, se Deus não fizesse algo por nós. Mas Ele fez!

II NOS VIVIFICOU JUNTAMENTE COM CRISTO, 2:5

1. Motivado "pelo seu muito amor com que nos amou", 2:4

Paulo se refere a Deus como "riquíssimo em misericórdia" (2:4). Não fosse Seu grande amor para com pecadores irremediáveis, nós permaneceríamos mortos até finalmente experimentarmos a segunda morte, a condenação e tormento eterno. Mas movido por grande amor, foi misericordioso e nos deu vida com Cristo, livrando-nos das algemas da morte.

2. Ele "nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus", 2:6

Mais que apenas nos vivificar, o Senhor nos exaltou às regiões celestiais, em Cristo. Como a igreja é o Corpo de Cristo, que está assentado nos céus, desde agora ela está assentada nos lugares celestiais na pessoa de Jesus. De defuntos espirituais jogados nas profundezas da terra e separados de Deus, fomos transportados para as alturas celestiais, na presença de Deus!

3. Para mostrar as "as abundantes riquezas da sua graça", 2:7

Para que Deus fez tudo isso? Paulo nos diz que foi para mostrar "nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus". Deus é glorificado por Sua justiça quando aplica a justa condenação àqueles que rejeitam seu Filho Jesus Cristo. Mas muito mais Ele é glorificado ao exibir, por toda a eternidade, a riqueza de sua graça com pecadores redimidos e ressuscitados com Seu Filho!

III ISTO NÃO VEM DE VÓS, É DOM DE DEUS, 2:8

Agora precisamos abordar um ponto fundamental e que muitas vezes é ignorado. Tranformar pecadores mortos em pessoas nascidas de novo é uma obra exclusiva de Deus. Um morto não pode fazer nada por si mesmo. Somente depois de ser vivificado é que alguém pode esboçar qualquer reação. Paulo faz questão de deixar isso claro na passagem que estamos analisando.

1. "Estando nós ainda mortos em nossas ofensas", 2:5

Nunca é demais relembrar este ponto: nós ainda estávamos mortos quando fomos renovados em nossa vontade, mente e coração. Um morto não tem fé, então precisar viver antes de crer. Um morto não se arrepende, então precisa viver antes de confessar seus pecados. Por isso, os que nasceram de novo "não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" (Jo 1:13). Deus usa de misericórdia e vem até nós quando estamos mortos e incapazes de fazer qualquer coisa para cooperar com Sua obra em nós.

2. "Não vem das obras, para que ninguém se glorie", 2:9

A nossa ressurreição com Cristo não vem de algo que possamos fazer. Obras são coisas que o homem faz. E não há nada que o homem possa fazer para ajudar na sua salvação. Se o homem operasse ou cooperasse com sua salvação, teria motivos para se orgulhar disso. O glória não seria toda de Deus, que pelo menos uma parte teria que dividir com o homem. Mas a Bíblia é taxativa: a salvação não vem de obras humanas, logo não há motivo para ele se gloriar.

3. "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé", 2:8

A salvação é uma obra divina, do começo ao fim. Paulo diz que somos salvos pela graça. O fundamento de nossa salvação é a graça de Deus, é porque Deus quis nos salvar, mesmo sem mérito algum, que somos salvos. Tudo o que é necessário para nossa salvação é provido por Deus, até mesmo a fé. A fé é necessária para a salvação, pois somente quem crê é salvo por Deus. Mas é Deus quem nos capacita a crer, em outras palavras, a fé também é um dom de Deus!

CONCLUSÃO

Um erro comum é pensar que como a salvação é pela graça somente e não pelas obras, não precisamos viver uma vida de santidade ou fazer o bem. O ensino de Paulo é bastante claro. Embora o novo nascimento não dependa de boas obras, estas tem o seu lugar na vida daqueles que nasceram de novo. Primeiro, que "fomos criados para boas obras" (2:10). Não realizamos boas obras para sermos salvos, mas somos salvos para realizá-las. As boas obras não são a causa, mas a consequência da salvação. Em segundo lugar, as boas obras "Deus preparou para que andássemos nela" (2:10). Isto significa que mesmo quando realizamos boas obras, e devemos realizá-las, não devemos nos orgulhar disso, "porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2:13).

Soli Deo Gloria

Autor: Clovis
Fonte: [ Cinco Solas ]

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Meu sobrinho, a inspiração da Bíblia, a divindade de Jesus e os liberais
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Quando estou de férias em Recife uma de minhas atrações favoritas (senão a favorita) é curtir o meu sobrinho, de três aninhos de idade (e não é porque o nome dele é igual ao meu, viu?!). Como ainda não sou pai, meu consolo é ficar babando por ele (acho que herdei a “corujice” de meus pais). Desta última vez em que fui a minha amada terra, ensinei-lhe a dizer que a Bíblia é a Palavra de Deus.

– “A Bíblia é o que, Leo”?

– “A Palavra de Deus”, respondia ele entusiasticamente, com os punhos cerrados e dando socos no ar, como se estivesse comemorando um gol ou coisa do tipo. Fiquei lhe perguntando repetidas vezes a mesma coisa, e a resposta era sempre a mesma: “A Palavra de Deus, a Palavra de Deus”! Depois disso, dessa vez sem adotar nenhuma metodologia tipo catequética, perguntei-lhe quem era Jesus. Ele pensou um pouco, pensou, e disse: “É… é… é Deus”! Ainda nem tínhamos conversado sobre isso! Nem acreditei no que ouvi, tanto que resolvi forçar mais ainda a barra:

– “E quem é Deus, Leo”?

– “Jesus”, respondeu ele dando de ombros, com aquela simplicidade que é própria das crianças. Depois daquele dia eu quase disse para mim mesmo que agora eu poderia morrer, ops!, ir para Santarém em paz (*).

Depois de mais dois meses sem falar com meu sobrinho, pedi a minha mãe para levá-lo à casa dela somente para eu matar um pouquinho da saudade que sinto dele. Depois de tantos desencontros (eu ligo e ele não está, ele está e eu não ligo…), o dia finalmente chegou: eu estava, enfim, cara a cara, ou melhor, fone a fone com ele. E adivinhem qual foi a primeira pergunta que lhe fiz?

– “A Bíblia é o que, Leo?” – perguntei-lhe com aquela expectativa ofegante, para ver se ele ainda lembrava.

“A Palavra de Deus!”, respondeu ele sem hesitar (só não deu para saber se foi com socos no ar). Dois meses depois e ele ainda lembrava! Puxa vida! Nem precisa dizer como me senti, não é mesmo? Bem, depois de ouvir o que queria (egoísta bitolado, eu?!), começamos a conversar sobre sua escolinha, seus amiguinhos, sua “malcriação” (“birra”, para os não-nordestinos), etc, etc, etc.

As declarações de meu sobrinho fariam muita gente se contorcer toda, especialmente os liberais, que negam tanto a inspiração das Escrituras quanto a divindade de Jesus. Para estes, as palavras do pequeno Leo não revelam apenas a “inocência” de uma criança que ainda não sabe o que diz, mas também a ilusão de toda uma cultura cristã construída sobre uma base mítica – os Evangelhos, que não são, segundo eles, um relato confiável da vida e ministério de Jesus. É exatamente assim que pensa, por exemplo, Rudolf Bultmann, teólogo liberal (roxo, diga-se de passagem), considerado por muitos como um dos maiores eruditos em Novo Testamento do século 20.

Eu realmente penso que não podemos saber quase nada sobre a vida e a personalidade de Jesus, já que as fontes cristãs primitivas [os Evangelhos] não mostram qualquer interesse em ambos, são fragmentárias e frequentemente lendárias; e outras fontes sobre Jesus não existem[1].

Para Bultmann, a Bíblia nada mais é do que o registro das crenças de um povo, a saber, dos judeus e cristãos do primeiro século, nada mais. Ela está cheia de lendas e crenças populares. Não há nenhuma verdade absoluta ali, apenas crendices (lendas).

A comunidade cristã estava convencida de que Jesus havia realizado milagres, e contaram muitas histórias de milagres sobre ele. A maioria das estórias sobre milagres que estão nos Evangelhos são lendas, ou pelo menos estão revestidas de caráter lendário. Não pode haver dúvida, contudo, que Jesus realizou atos que, no seu entendimento e no de seus contemporâneos, eram atribuídos a uma causa divina sobrenatural[2].

Além de eventos como o relato do chamado dos primeiros discípulos (Mt 4.18-22; Mc 1.16-20; Lc 5.1-11), da morte de João Batista (Mt 14.1-12; Mc 6.14-29; Lc 9.7-9), da moeda na boca do peixe, para pagar o imposto (Mt 17. 24-27), e da última Ceia (Mt 26.26-30; Mc 14.22-26; Lc 22.14-20), a própria ressurreição de Jesus é considerada por liberais como Bultmann como mitológica, lendária. Para eles, Jesus não ressuscitou literalmente, mas apenas no coração e na lembrança dos discípulos. Por exemplo, Cristo não esteve literalmente com aqueles dois discípulos no caminho de Emaús (Lc 24.13-35), mas apenas “na memória” destes. Ou seja, o Jesus que caminhava com aqueles discípulos era, na realidade, uma fantasia. Consequentemente, isso faz com que a divindade de Jesus também seja mítica, já que sua ressurreição (que para nós, os que cremos, é uma prova cabal de sua divindade) não foi histórica, mas folclórica. E o que Bultmann propõe para que relatos tão “fantasiosos” e “folclóricos” como esses é que o intérprete das Escrituras proceda a uma “demitização” (ou “desmitologização”) da mensagem do Evangelho (do kerigma), o que pode significar negar totalmente o conteúdo da Revelação, mesmo que alguns relatos nem sejam tão “absurdos” e “folclóricos” assim.

Prefiro ficar com a simplicidade do meu sobrinho a ceder às sugestões de Bultmann e seus confrades liberais. E não se trata de nenhum tipo de “nepotismo teológico” de minha parte, claro que não. O que o pequeno Leo falou apenas está de acordo com o ensino das Escrituras, no qual creio ser infalível, inerrante e inspirado. “Nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” – é o vaticínio de Pedro quanto à infalibilidade e inspiração da Bíblia (2Pe 1.20-21). Pedro diz que os santos profetas não falaram aquilo que eles “achavam” que ia acontecer, e sim aquilo que Deus lhes mandara falar e que Ele mesmo cumpriria. Este mesmo Pedro, quando discursou em Jerusalém por ocasião da descida do Espírito Santo sobre a igreja no dia de Pentecostes (At 2), aplicou o Salmo 16, especificamente os versículos de 8 a 10, a Jesus: “Porque não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção” – referindo-se à ressurreição de Cristo como um fato histórico, o que atesta tanto a infalibilidade das Escrituras quanto a divindade do Filho de Deus. Se isso é mero mito, como querem os liberais, então, de acordo com o apóstolo Paulo “é vã a nossa pregação, e vã, a nossa fé” (1Co 15.14).

O teólogo presbiteriano Grescham Machen já dizia que “o liberalismo teológico não é cristianismo, mas outra religião”. G. K. Chesterton foi mais além (apesar de não estar se referindo diretamente aos liberais) quando disse que “quando as pessoas deixam de crer no verdadeiro Deus da Bíblia, isso não significa que elas deixaram de crer em algo, mas que elas agora creem em tudo ao mesmo tempo”[3]. H. Richard Niebuhr também deixou seu comentário (caricaturizado) sobre a perspectiva liberal: “um Deus sem ira levou homens sem pecado para um reino sem julgamento pelas ministrações de um Cristo sem uma cruz”[4]. Tudo isso só reforça ainda mais o parecer simples, mas extremamente profundo, do meu querido sobrinho: a Bíblia é a Palavra de Deus; Jesus é Deus! Simples assim.

Soli Deo Gloria!

(*) Isso não quer dizer que eu esteja aderindo ao Monarquianismo Modalista (séc. IV), que não faz distinção entre as Pessoas da Trindade (aquelas coisas do tipo: “o Pai foi para a cruz”, Unitarismo, etc). Só estou ressaltando a divindade de Cristo, nada mais. Seria exigir demais de uma criança de apenas três anos que ela distingua tão bem algo que nem mesmo os grandes teólogos da história conseguiram fazer – desvendar o inesvendável mistério da Trindade.


Notas:
1 - Bultmann, Rudolf K. Jesus and the Word (1934). Citado por Augustus Nicodemus Lopes em A Bíblia e Seus Intérpretes. São Paulo, 2007. Editora Cultura Cristã. Pág. 208.

2 - Idem. Pág. 208, 209.
3 - Citado por Michael Horton em A Face de Deus – os perigos e as delícias da intimidade espiritual. São Paulo, 1999. Editora Cultura Cristã. Pág. XV.
4 - Idem.
Pág. XVI.

Autor: Leonardo B. Galdino
Fonte: [ Optica Reformata ]

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Fé – (Sermão 107 – Faith) – C. H. Spurgeon

Manhã, 14 de Dezembro de 1856

New Park Street Pulpit

AT THE MUSIC HALL, ROYAL SURREY GARDENS.

Sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6)

O antigo Catecismo da Assembléia pergunta: "Qual é o principal objetivo do ser humano?" e a resposta é: "Glorificar a Deus e alegrar-se nele para sempre." A resposta está totalmente correta, mas seria igualmente verdadeira se fosse mais curta. O principal objetivo do ser humano é "agradar a Deus"; não é necessário dizer que assim ele mesmo fica feliz, porque isso é um fato inquestionável. Nós cremos que o sentido da vida humana, nesta vida e na próxima, é agradar a Deus, seu Criador. Quem vive de um modo que agrada a Deus, está fazendo aquilo que contribui mais para seu bem-estar temporal e eterno. Ninguém pode agradar a Deus sem angariar uma profunda felicidade, porque se alguém agrada a Deus é porque Deus o aceita como filho, lhe dá a bênção da adoção, derrama sobre ele generosamente da sua graça, torna-o uma pessoa abençoada nesta vida e lhe garante uma coroa de vida eterna, que usará e que terá um brilho que nunca diminui, mesmo depois que as coroas de glória terrena tiverem todas sido consumidas. Por outro lado, se alguém não vive de modo a agradar a Deus. é inevitável que ele traga tristeza e sofrimento para esta vida. Ele está colocando vermes e podridão no meio das suas alegrias, enchendo de espinhos o travesseiro sobre o qual se deitará na morte, e abastecendo o fogo eterno com vermes de fogo que o consumirão para sempre. Aquele que agrada a Deus está, pela graça divina, viajando em direção à recompensa final de todos os que amam e temem a Deus; o que não agrada a Deus, declara a Escritura, precisa ser banido da presença de Deus e, em conseqüência, de gozar a felicidade. Se, portanto, estamos certos ao dizer que agradar a Deus equivale a ser feliz, a única pergunta importante é: como posso agradar a Deus? Na afirmação do nosso texto há algo muito solene: "Sem fé é impossível agradar a Deus." Isso é como dizer: "Faça o que você puder, esforce-se o mais que puder, viva da melhor maneira que você conseguir, faça os sacrifícios que quiser, seja o mais destacado que conseguir em todas as coisas agradáveis e de boa fama", só que nenhuma dessas coisas pode agradar a Deus se não estiver misturada com fé. O Senhor disse aos judeus: "Toda oferta dos teus manjares temperarás com sal."(Lv 2.13). A nós ele diz: "Com tudo o que você faz você precisa trazer fé, pois 'sem fé é impossível agradar a Deus'."

Essa é uma lei antiga; ela é tão antiga como o primeiro ser humano. Assim que Caim e Abel nasceram neste mundo e atingiram a maturidade, Deus proclamou de modo solene sua lei de que "sem fé é impossível agradá-lo". Caim e Abel, num belo dia, construíram cada um um altar, um ao lado do outro. Caim colheu frutos das árvores e do solo abundante e os colocou sobre o seu altar; Abel trouxe das primeiras crias do rebanho e os colocou sobre o altar dele. Estava para ser decidido qual Deus iria aceitar. Caim tinha trazido do seu melhor, mas o trouxe sem fé; Abel trouxe seu sacrifício, mas o trouxe com fé em Deus. Quem seria aceito? Os sacrifícios tinham valor igual; os dois homens também tinham valor igual. Sobre qual sacrifício descerá o fogo celestial? Qual o Senhor Deus consumirá com o fogo do seu prazer? Oh! Vejo o sacrifício de Abel ardendo, e o semblante de Caim se fechando, pois Deus se agradou de Abel e de sua oferta, mas não se agradou de Caim e de sua oferta. A mesma coisa acontecerá até que último ser humano foi levado para o céu. Jamais haverá uma oferta aceitável que não foi temperada com sal. Por melhor que seja, na aparência tão boa como a que foi feita com fé, mas Deus não pode e não vai aceitá-la se não vier com fé, porque é ele que declara: "Sem fé é impossível agradar a Deus."

Irei esforçar-me esta manhã para condensar meus pensamentos o mais que eu puder, trazendo uma exposição do que é fé; em segundo lugar explanarei que sem fé é impossível ser salvo; em terceiro lugar, farei uma pergunta: "Você tem essa fé que agrada a Deus?"

I. Primeiro, a exposição. O que é fé?

Os escritores antigos, que são de longe os mais sensíveis — você percebe que os livros escritos há duzentos anos pelos antigos puritanos têm mais sentido em uma linha que em uma página dos nossos livros novos, e mais em uma página do que em um livro inteiro da teologia moderna — o escritores antigos lhe dizem que a fé se compõe de três coisas: conhecimento, concordância e o que eles chamam de confiança, ou seja, tomar posse do conhecimento com o qual concordamos e assimilá-lo confiando nele.

1. Comecemos com o início. O primeiro elemento da fé é conhecimento. Ninguém pode crer em algo que ele não sabe. Isso é uma afirmação clara, evidente em si mesma. Se ouço falar de uma coisa que não conheço, não posso crer nela. Mesmo assim há pessoas que têm fé como o pedreiro que, quando lhe perguntaram no que ele cria, respondeu. "Creio no que a igreja crê." "E no que a igreja crê?" "A igreja crê no que eu creio." "Sim, mas no que você e a igreja crêem?" "Bem, cremos na mesma coisa." A única coisa em que esse homem cria era que a igreja estava certa, mas no que ele não sabia dizer. É inútil que alguém diga: "Eu sou crente", se não sabe no que crê; mesmo assim tenho visto pessoas com esta posição. Ouviram uma pregação empolgante que agitou o sangue deles; o pregador gritava: "Creia! Creia! Creia!" e de repente as pessoas põe nas suas cabeças de que são crentes, e saem por aí dizendo isso. Quando lhes perguntam-. "Bem, no que vocês crêem?", não sabem dar a razão da esperança que há neles. Crêem que irão ao culto no próximo domingo; pretendem juntar-se a certo tipo de pessoas; decidem cantar com muita força, e serem maravilhosos a seus próprios olhos, por isso acham que serão salvos; mas não sabem dizer no que crêem. Bem, para mim a fé não é verdadeira se a pessoa não sabe no que crê.

O apóstolo disse: "Como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados?"(Rm 10.14,15). Para ter fé verdadeira, por- tanto, a pessoa precisa ter algum conhecimento da Bíblia. Você pode ter certeza de que vivemos em uma época em que não se ensina tanto a Bíblia como antes. Há uns cem anos o mundo estava cheio de intolerância, crueldade e superstição. Nós sempre vamos para os extremos, e agora estamos no outro. Naquela época se dizia: "Só há uma fé certa! Acabem com todas as outras, pela tortura e pela espada!" Agora dizem: "Por mais contraditórios que nossos credos sejam, estão todos certos." E só usar o bom senso para ver que isso não é verdade. Alguns dizem: "Essa ou aquela doutrina não precisa ser pregada, nem se precisa crer nela." Bem, se não é preciso pregá-la, ela não precisava ser revelada. Você está questionando a sabedoria de Deus quando diz que uma doutrina é desnecessária, pois está dizendo que Deus revelou algo que não é necessário, e lhe faltaria sabedoria tanto se fizesse mais do que o necessário como se fizesse menos. Eu tenho certeza de que as pessoas deveriam estudar todas as doutrinas da Palavra de Deus, e que sua fé deveria apossar-se de tudo do que tratam as Escrituras Sagradas, especialmente no que concerne a pessoa do nosso bendito Redentor. Precisa haver certo grau de conhecimento antes que possa haver fé.

"Examinai as Escrituras, porque julgais ter nela a vida eterna, e são elas mesmas que testificam" de Cristo. (Jo 5. 39). Com a pesquisa e o estudo vem o conhecimento, com o conhecimento vem a fé, e com a fé vem a salvação.

2. As pessoas, porém, podem ter conhecimento e não ter fé. Posso saber algo e mesmo assim não acreditar. Por isso a concordância precisa acompanhar a fé: isto é, também precisamos concordar que aquilo que sabemos é com toda certeza a verdade de Deus. Bem, para ter fé é necessário não só que eu leia e compreenda as Escrituras, mas que eu as receba em minha alma como sendo a verdade do Deus vivo, que eu aceite com devoção, de todo o meu coração, toda a Escritura como inspirada pelo Altíssimo, e toda a doutrina que exige que eu creia para ser salvo. Você não pode ter a Escritura e crer no que quiser; você não pode crer nas Escrituras com meio empenho, pois se o fizer intencionalmente, você não tem a fé que olha só para Cristo. A fé verdadeira aceita totalmente as Escrituras; toma uma página e diz: "Não importa o que está nesta página, eu creio nisso"; passa para o próximo capítulo e diz: "Aqui há algumas coisas difíceis de entender, que os incultos e instáveis distorcem, como também fazem com outros trechos das Escrituras, para sua própria destruição; porém, por mais duro que seja, eu creio." Vê a Trindade; não consegue compreender a Trindade na Unidade, mas crê nela. Vê o sacrifício expiatório; há algo difícil neste conceito, mas ela crê nele. Seja o que for que vê na revelação, ela coloca seus lábios com devoção sobre o livro e diz: "Amo tudo isso, concordo de modo pleno e total, de todo o coração, com cada palavra, seja advertência, promessa, provérbio, preceito ou bênção. Creio que, como está tudo na Palavra de Deus, é tudo totalmente verdadeiro." Todo o que for salvo precisa conhecer as Escrituras e concordar plenamente com elas.

3. Entretanto, é possível que alguém tenha tudo isso sem que tenha fé autêntica, porque a parte principal da fé está na terceira palavra, ou seja, na confiança na verdade. Não simplesmente acreditar nela, mas tomar posse dela e apoiar-se nela para salvação. Descansar na verdade é a palavra que os pregadores antigos usavam. Você entende essa palavra: reclinar-se sobre — dizer: "Isto é verdade. Confio minha salvação nela." A fé verdadeira em sua essência reside nisso — descansar em Cristo. Saber que Cristo é o Salvador não me salva; confiar nele como meu Salvador é que vai me salvar. Não serei poupado na ira vindoura por crer que sua expiação é suficiente; mas serei salvo tornando essa expiação a minha garantia, meu refúgio, meu tudo. O cerne, a essência da fé está nisso — fundamentar-se sobre a promessa. Não é a bóia salva-vidas que há no navio que salva alguém que está-se afogando, nem a convicção de que ela é uma invenção muito boa e prática. Não! E preciso colocá-la em volta da cintura, ou segurá-la com as mãos, ou afogaremos. Usando uma ilustração antiga e bem conhecida: imagine que começou um incêndio num quarto do segundo andar de uma casa, e as pessoas se aglomeram na rua. Há uma criança neste andar: como escapará? Ela não pode pular, porque se faria em pedaços. Um homem forte vem para a frente da casa e grita: "Jogue-se nos meus braços." Faz parte da fé saber que o homem está ali; outra parte da fé é crer que o homem é forte; mas a essência da fé reside em deixar-se cair nos braços do homem. Essa é a prova da fé e sua verdadeira essência e medula. Portanto, pecador, você precisa saber que Cristo morreu pelos pecados; precisa compreender também, e crer, Então, pecador, você precisa saber que Cristo morreu pelo pecado. Crer que Cristo é capaz de te salvar, mas você não será salvo exceto se colocar sua confiança nEle para ser seu Salvador para sempre.

Como Hart diz em seu hino, que expressa a verdade do Evangelho:

Confie nEle, Confie totalmente
Não confie em nada mais
Nada a não ser Cristo
Pode transformar os pecadores

Esta é a fé que salva. E no entanto, tens vivido de forma profana até este momento; esta fé, se for dada a você, neste instante teus pecados serão apagados, sua natureza será transformada e você se tornará um novo homem em Jesus Cristo. Ele vai levar você a viver uma vida santa e dar uma eterna salvação tão segura como se um anjo levasse você imediatamente com suas asas brilhantes até o céu. Essa é uma questão muito importante.

Por enquanto, pela fé homens tem sido salvos, sem ela estão condenados. Como disse Brooks em uma de suas obras admiráveis:

‘Aquele que crê no Senhor  Jesus Cristo será Salvo, mesmo que seus pecados sejam muitos. Mas aquele que não crê  no Senhor Jesus  deve ser condenado, mesmo que seus pecados sejam “poucos”. “Tu tens fé?” As Escrituras declaram: “Sem fé é impossível agradar a Deus”.

II. Passamos agora para a explanação — por que não podemos ser salvos sem fé.

Há algumas pessoas presentes aqui que estão dizendo: "Agora vamos ver se o Sr. Spurgeon segue alguma lógica." Vou decepcioná-los, senhores, porque não penso em segui-la. Eu creio ter a lógica que apela aos corações das pessoas, mas não estou propenso a usar a lógica da cabeça, mais fraca, quando posso conquistar os corações de outra maneira. Se, porém, for necessário, não terei medo de provar que conheço mais lógica, também sobre muitas outras coisas, do que os pequenos que arriscam criticar-me. Seria bom para eles se soubessem como controlar a língua, o que pelo menos já seria uma parte importante da retórica. Eu confio que minha explanação apelará ao coração e à consciência, apesar de não exatamente agradar os que gostam tanto de exibições de lógica — Para quem importa discutir Que sexo os anjos podem ter.

1. "Sem fé é impossível agradar a Deus." Eu concluo isso do fato de que não há um só caso de pessoa na Bíblia que agradou a Deus sem ter fé. O capítulo onze de Hebreus traz a lista dos que agradaram a Deus. Ouça seus nomes-. "Pela fé, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício"; "Pela fé, Enoque foi trasladado"; "Pela fé, Noé [...] aparelhou uma arca"; "Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança"; "Pela fé, peregrinou na terra da promessa"; "Pela fé, também, a própria Sara rece¬beu poder para ser mãe"; "Pela fé, Abraão [...] ofereceu Isaque"; "Pela fé, igualmente Isaque abençoou a Jacó"; "Pela fé, Jacó [...] abençoou cada um dos filhos de José"; "Pela fé, José, próximo do seu fim, fez menção do êxodo dos filhos de Israel"; "Pela fé [Moisésl abandonou [as riquezas d] o Egito"; "Pela fé, atravessaram o mar Vermelho como por terra seca"; "Pela fé, miram as muralhas de Jerico"; "Pela fé, Raabe, a meretriz, não foi destruída"; "E que mais direi? Certamente, me faltará o tempo necessário para referir o que há a respeito de Gideão, de Baraque, de Sansão, de Jefté, de Davi, de Samuel e dos profetas." Todos estes foram pessoas de fé. Outros mencionados na Bíblia fizeram alguma coisa, mas Deus não os aceitou. Homens se humilharam, mas Deus não os salvou. Acabe teve um momento de contrição, mas seus pecados nunca foram perdoados. Pessoas se arrependeram, mas não foram salvas, porque seu arrependimento era falso. Judas se arrependeu, enforcou-se e não foi salvo. Outros confessaram seus pecados, mas não foram salvos, como Saul. Ele disse a Davi: "Pequei; volta, meu filho"(1Sm 26.21), mas mesmo assim não mudou sua atitude. Multidões têm confessado o nome de Cristo e feito coisas maravilhosas, sem jamais agradarem a Deus pela razão simples de que não tiveram fé. Se não houve ninguém mencionado na Escritura, que registra a história de alguns milhares de anos, não é provável que houve alguém nos outros dois mil anos da história do mundo, se não houve nos quatro mil anteriores.

2.        A parte seguinte da explanação é: fé é a graça de humilhar-se, e nada é capaz de fazer um homem humilhar-se senão a fé. Ocorre que, se alguém não se humilhar, seu sacrifício não pode ser aceito. Os anjos sabem disso: quando eles louvam a Deus, eles cobrem seus rostos com suas asas. Os salvos sabem disso: quando louvam a Deus, eles lançam suas coroas diante dos pés dele. Alguém que não tem fé prova que não consegue humilhar-se: ele não tem fé exatamente porque é orgulhoso demais para crer. Ele declara que não vai renunciar ao seu intelecto, que não se tornará como uma criança e crer bonitinho o que Deus manda. Ele é arrogante demais, e não pode entrar no céu porque a porta do céu é tão baixa que ninguém consegue passar por ela a não ser que se curve. Não houve nenhuma pessoa que pôde entrar na salvação de cabeça erguida. Temos de ir a Cristo com os joelhos dobrados, pois, apesar de ele ser uma porta grande o suficiente para o maior pecador poder passar, essa porta é tão baixa que as pessoas precisam inclinar o rosto até o chão se quiserem ser salvas. Portanto, é dessa fé que precisamos, porque a falta de fé é evidência clara da ausência de humildade.

Vejamos outras razões. A fé é necessária à salvação porque a Escritura nos diz que as obras não podem salvar. Contarei uma história bem conhecida, para que nem os mais simples deixem de entender o que quero dizer. Certo dia um pastor estava a caminho do lugar onde ia pregar. Seu caminho levou-o pelo alto de um monte, e abaixo dele via-se as aldeias adormecidas em sua beleza, os campos de trigo imóveis na primeira luz do sol. Ele, porém, não prestou atenção nisso porque viu uma mulher saindo da porta da sua casa que, ao vê-lo, veio em sua direção com a maior ansiedade e disse:

        Meu senhor, tem algumas chaves aí? Eu quebrei a chave do meu armário, e preciso tirar algumas coisas.
Ele respondeu:
        Eu não trouxe nenhuma chave. — Ela ficou decepcionada, porque esperava que alguém tivesse alguma chave.
Mas ele continuou: — Imaginemos que eu tivesse alguma; é bem possível que ela não encaixasse na fechadura, e a senhora ficaria sem poder tirar as coisas que deseja. Mas não desanime; espere por alguém outro.
Entretanto, no desejo de aproveitar a situação, ele per-guntou:
        A senhora já ouviu falar da chave do céu?
        Oh, sim — ela disse, — já vivi bastante tempo e fui à igreja o suficiente para saber que, se trabalhamos bastante e conseguimos o pão com o suor do rosto, tratarmos bem nossos próximos e nos comportamos, como diz o Catecismo, de modo humilde e reverente diante de todos os que são melhores do que nós, e se fazemos nossa obrigação na estação da vida em que Deus se agradou de nos colocar, e fazemos nossas orações regularmente, seremos salvos.
        Ah — ele retrucou, — minha senhora, essa é uma chave quebrada, porque a senhora quebrou os mandamentos; a senhora não fez todas as suas obrigações. A chave é boa, mas a senhora a quebrou.
        Por favor, senhor — disse ela, vendo que ele enten¬dia do assunto e com um olhar assustado, — o que foi que eu esqueci?
        Bem — respondeu ele, — a senhora esqueceu a coisa mais importante, o sangue de Jesus Cristo. A senhora não ouviu falar que a chave do céu está presa ao seu cinto? Quando ele abre, ninguém pode fechar; quando ele fecha, nin¬guém pode abrir. — Explicando melhor para ela, ele continuou: — E Cristo e só ele quem pode abrir o céu para a senhora, e não as suas boas obras.
        Mas, senhor pastor — exclamou ela, — quer dizer que nossas boas ações são desnecessárias?
        De forma alguma, quando juntas com a fé. Se a senhora crê primeiro, pode fazer tantas boas ações quantas quiser. No entanto, se a senhora crê, nunca mais vai confiar nelas, porque se o fizer, a senhoras arruinou-as, e não são mais boas ações. Faça quantas boas obras quiser, mas coloque sua confiança total¬mente no Senhor Jesus Cristo; se não o fizer, sua chave jamais abrirá a porta do céu.

Portanto, meus ouvintes, precisamos ter fé autêntica porque a velha chave das obras foi tão quebrada por nós que jamais entraremos no paraíso com ela. Se alguém aqui acha que não tem pecados, vou ser direto: você está se iludindo, e não há verdade em você. Se você imagina que por suas boas obras entrará no céu, jamais houve ilusão mais fatal. No último grande dia você descobrirá que suas esperanças eram inúteis, e que, como folhas secas das árvores no outono, suas ações mais nobres serão levadas pelo vento para o fogo onde você mesmo sofrerá para todo o sempre. Preste atenção em suas boas obras; faça-as depois de crer, mas lembre-se, o meio de ser salvo é simplesmente crer em Jesus Cristo.

4. Mais uma vez: sem fé é impossível ser salvo e agradar a Deus, porque sem fé não há união com Cristo. Ocorre que a união com Cristo é indispensável à nossa salvação. Se me achego ao trono de Deus com minhas orações, não recebe¬rei respostas para elas se eu não trouxer Cristo comigo. Os antigos molóssios, quando não conseguiam do rei o que precisavam, adotavam um expediente singular: tomavam o único filho do rei nos braços e exclamavam, caindo de joelhos diante dele: "O rei, por amor ao teu filho atenda o nosso pedido." Ele sorria e dizia: "Não nego nada a quem pede em nome do meu filho."

Com Deus é assim. Ele não nega nada a quem vem com Cristo pela mão; quem vem sozinho precisa ser expulso. A união com Cristo é, afinal de contas, o ponto central da salvação. Deixe-me contar uma história para ilustrar isso: as quedas impressionantes do Niágara são conhecidas em todo o mundo. Elas formam um espetáculo esplêndido e podem ser ouvidas de muito longe, mas são fatais para quem por acidente for tragado por elas. Há alguns anos dois homens, um barqueiro e um mineiro, estavam em um barco que não conseguiam mais controlar. Estavam sendo levados rapidamente pela correnteza, e era inevitável que caíssem na catarata e fossem despedaçados. Na margem havia pessoas que os viam mas não podiam fazer muito para salvá-los. Acabaram salvando um homem jogando-lhe uma corda que ele conseguiu agarrar. No mesmo instante em que a corda chegou à sua mão, um tronco passou boiando pelo outro homem. O barqueiro, confuso e irrefletido, em vez de também segurar a corda agarrou o tronco. O erro foi fatal. Ambos estavam em perigo de morte, mas um foi puxado para a margem porque tinha um vínculo com as pessoas ali, enquanto o outro se segurava no tronco e foi arrastado pela correnteza, e desapareceu. Você não vê que aqui está uma ilustração prática? A fé é o vínculo com Cristo. Cristo está por assim dizer na margem, segurando a corda da fé e, se segurarmos a outra ponta com a mão da confiança, ele nos puxa para si. Nossas obras, porém, quando não têm relação com Cristo, são arrastadas pela correnteza do desespero. Podemos segurá-las com toda a força, até com ganchos de aço, mas no fim elas não nos servem de nada. Tenho certeza de que você entenda o que quero lhe mostrar. Algumas pessoas não gostam de histórias; continuarei usando-as até que parem de objetar. Não há maneira melhor de apresentar a verdade do que contando histórias, como Jesus quando falou do homem que tinha dois filhos, e do homem rico que foi viajar e deu certa quantia a cada funcionário: a um dez talentos, a outro um. Fé, então, é uma união com Cristo. Verifique se você a tem. Porque se não, apegado as suas obras você irá sendo levado pelo fluxo! Se apegue as suas obras e serás arrastado para o abismo. Perdido porque suas obras não vão levá-lo a Cristo e não está conectada as bênçãos do Redentor. Mas você, pobre pecador, com todo seu pecado sobre si, com a corda do juízo em seu pescoço, Cristo pode salvá-lo, não temas –

Sua honra está comprometida para salvar
As suas pobres ovelhas
Todas que o Pai celestial lhe deu
Suas mãos são poderosas para salvá-las

5. Só mais um argumento. "Sem fé é impossível agradar a Deus" porque é impossível perseverar na santidade sem fé. Quantos cristãos de tempo bom existem em nossos dias! Muitos cristãos se parecem com náutilos, que com. tempo bom e agradá¬vel nadam na superfície do mar em pequenos cardumes muito bonitos como navios poderosos, mas assim que a primeira lufada de vento agita a água, eles recolhem as velas e submergem nas profundezas. Muitos cristãos são assim. Em boa companhia, em salas de culto evangélicas, em grupos de estudo em casa, em capelas e reuniões do conselho eles são tremendamente espirituais; porém quando são expostos a um pouco de ridículo, se alguém sorri para eles e os chama de metodistas ou presbiterianos ou algum nome depreciativo, acabou a religiosidade deles até o próximo dia de tempo bom. Então, quando tudo está bem e a religião atende a suas aspirações, lá vão eles levantar as velas, e são espirituais como antes. Creia em mim, esse tipo de religião é pior que nenhuma. Eu quero que as pessoas sejam exatamente o que são, homens direitos. Se alguém não ama a Deus, que não diga o contrário; mas se é um cristão de verdade, um seguidor de Jesus, que o diga e se garanta. Não há por que envergonhar-se disso; a única razão de se envergonhar é de ser hipócrita. Sejamos honestos naquilo que professamos, e isso será nossa glória. 0 que você faria sem fé em épocas de perseguição?! Vocês, pessoas boas e consagradas que não têm fé, o que vocês fariam se a estaca fosse novamente erigida em Smithfield e novamente as chamas reduzissem os santos a cinzas? Se a torre dos lolardos fosse novamente aberta, se a tortura fosse aplicada, o tronco usado, como já foi, pela igreja protestante, como testemunha a perseguição do meu predecessor, Benjamin Keach, que certa vez foi preso no tronco em Aylesbury por escrever um livro contra o batismo de crianças. (Na época em que a Igreja Anglicana era a única autorizada na Inglaterra, grupos independentes como os lolardos eram às vezes terrivelmente perseguidos - N.T.).

Mesmo se a forma mais branda de perseguição fosse reiniciada, como as pessoas se espalhariam em todas as direções! Alguns dos pastores também abandonariam seus rebanhos. Contarei mais uma história e espero com isso levá-los a ver a necessidade da fé, enquanto me encaminho à última parte do meu discurso. Um americano dono de escravos, na ocasião de comprar mais um, disse ao mercador com quem estava barganhando:

        Diga-me honestamente: quais são seus defeitos? — O vendedor respondeu:
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Ele Morreu pelos Ímpios - João Calvino

Cristo morreu pelos ímpios (Rm 5.6-9) . Em minha tradução, não me aventurei conceder-me a liberdade de traduzir esta frase: "quando nós ainda éramos fracos", embora tenho preferido este sentido. O presente argumento procede do maior para o menor, e Paulo, em seguida, o adotará mais extensivamente. Embora ele não componha os liames de seu discurso de maneira distinta, a irregularidade de sua estrutura não afetará o significado. "Se Cristo", diz ele, "teve misericórdia do ímpio; se reconciliou seus inimigos com o Pai; se realizou isto pela virtude de sua morte, então agora, muito mais facilmente, os salvará quando forem justificados, e guardará em sua graça àqueles a quem restaurou à graça, especialmente pelo fato de que a eficácia de sua vida é agora acrescentada à sua morte."

Há intérpretes que defendem a tese de que o tempo de fraqueza significa aquele período em que Cristo começou a manifestar-se ao mundo; e consideram aqueles que eram ainda fracos como aqueles que, em sua infância [espiritual], viviam sob a tutela da lei. A expressão, contudo, sustento eu, se refere ao próprio cristão crente, e o tempo referido é o período que precede a reconciliação de cada um com Deus. Todos nós nascemos filhos da ira, e somos mantidos sob esta maldição até que nos tornemos partícipes de Cristo. Pela expressão, aqueles que são fracos ele quer dizer aqueles que não possuem nada em si mesmos senão pecado, pois imediatamente a seguir ele os chama de ímpios. Não há nada fora do comum considerar fraqueza neste sentido, visto que em 1 Coríntios 12.22 ele chama as partes menos nobres do corpo de frágeis; e em 2 Coríntios 10.10, ele chama sua própria presença física é fraca visto não possuir qualquer dignidade. Recorreremos a este significado um pouco mais adiante. Quando, pois, éramos fracos ou seja, quando éramos completamente indignos e desqualificados para merecermos a consideração divina, nesse mesmo tempo Cristo morreu em favor dos ímpios. A fé é o início da piedade, à qual eram estranhos todos aqueles por quem Cristo morreu. Isto é também válido para os antigos pais, os quais obtiveram justiça antes da morte de Cristo, pois este benefício eles o extraíram da morte do Cordeiro que ainda estava por vir.

7.        Dificilmente alguém morreria por um justo. A razão me compele a expor a partícula ( gar ) em sentido afirmativo ou declarativo, antes que causativo, ficando assim o sentido: "De fato é uma ocorrência muito rara entre homens a morte de alguém em favor de um justo, embora ocasionalmente seja possível acontecer. Mas, mesmo admitindo que tal coisa seja possível, não se achará ninguém que esteja disposto a morrer por um ímpio, como Cristo o fez." Deste modo, a passagem emprega uma comparação a fim de ampliar o que Cristo fez por nós, visto não existir no seio da humanidade um exemplo tal de bondade como a que Cristo nos demonstrou.

Mas Deus prova o seu amor para conosco. O verbo aqui  contém mais de um significado. O mais adequado aqui é o que denota confirmação. Não é o propósito do apóstolo despertar-nos para ações de graças, e, sim, estabelecer a confiança e a segurança de nossas almas. Deus, pois, confirma  ou seja, declara que o seu amor para conosco é muitíssimo sólido e verdadeiro, visto que não poupou a Cristo, seu próprio Filho, por amor aos ímpios. Nisto se manifestou o seu amor, ou seja: sem ser influenciado pelo nosso amor, ele nos amou mesmo antes de usar seu próprio beneplácito em nosso favor, como João mesmo nos diz [Jo 3.16]. O termo pecadores (como em muitas outras passagens) significa aqueles que são completamente corruptos e entregues ao pecado - veja-se João 9.31: "Deus não ouve a pecadores", ou seja: o ímpio e o culpado. A "mulher pecadora" significa uma mulher que vivia vida vergonhosa [Lc 8.37]. Isto surge mais claro ainda a partir do contraste que se segue imediatamente, ou seja: Muito mais agora, sendo justificados por seu sangue. Visto que ele contrasta estes dois elementos, e faz referência àqueles que são libertados da culpa de seu pecado, como sendo justificados, segue-se necessariamente que o termo pecadores significa aqueles que são condenados por suas ações perversas.

A súmula de tudo consiste em que, se Cristo obteve justiça para os pecadores, pela instrumentalidade de sua morte, então, agora, os protegerá muito mais da destruição assim que são justificados. Na última cláusula ele aplica à sua própria doutrina a comparação entre o menor e o maior. Não teria sido suficiente que Cristo houvesse uma vez por todas granjeado a salvação para nós, se porventura não a mantivesse ilesa e segura até ao fim. Isto é o que o apóstolo agora assevera, declarando que não temos razão para temer que Cristo não conclua a concessão de sua graça destinada a nós antes que tenhamos chegado ao nosso predeterminado fim. Tal é a nossa condição, visto que ele nos reconciliou com o Pai, ou seja: que ele propôs estender sua graça a nós de forma mais eficaz e fazê-la aumentar dia a dia.

Distorções quase imperceptíveis
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Vós sois o sal da terra, não há problema em ser insípido. (Mt 5:13)

Vós sois a luz da igreja. Pode se esconder uma cidade sobre um monte, deve se colocar a candeia debaixo do alqueire e não no velador. (Mt 5: 14)

Buscai, pois, em primeiro lugar as coisas que serão acrescentadas e se der tempo, busque o Reino de Deus e sua justiça. (Mt 6:33)

Podeis servir a Deus e às riquezas (Mt 6: 24)

Acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, pois a traça e a ferrugem não corroem e os ladrões não roubam. (Mt 6:19)

Julgueis antes que sejais julgados. (Mt 7:1)

Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se exalte, tome a sua bênção e siga-me. (Mc 8: 34)

Se aqueles pequeninos crentes te fazem tropeçar, melhor seja que pendure ao pescoço de cada um deles uma pedra de moinho e os lance no mar. (Mc 9: 42)

Deixai vir a mim os poderosos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus. (Mc 10:14)

Frequente as reuniões eclesiásticas sem falta e pregai o evangelho a todos os membros. (Mc 16:15)

Porque Deus amou Jesus de tal maneira que deu ao Mundo a condenação merecida, para que todo aquele que Nele não crer, pereça e tenha a condenação eterna. (Jo 3:16)

Ué, que heresia é essa?
Ué, os versículos estão distorcidos?
É ... mas é assim que é pregado o "evangelho" hoje. Ou... só você não percebeu?

Pare e pense.

Fonte: [ Gito ]
Via: [ PavaBlog ]
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Deus não vai se ajustar a você!
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Por: Josemar Bessa

"Ainda hoje a minha queixa é de um revoltado, apesar de a minha mão reprimir o meu gemido. Ah! se eu soubesse onde o poderia achar! Então me chegaria ao seu tribunal. Exporia ante Ele a minha causa, encheria a minha boca de argumentos. Saberia as palavras que ele me respondesse, e entenderia o que me dissesse" (Jó 23.1-5).

Imagine isto: uma convocação de pessoas irritadas se reunindo numa montanha para ter uma sessão de queixas com Deus.

A primeira pessoa a apresentar o seu caso é Moisés. Ele agarra firmemente seu bordão e dá um passo autoritário à frente. Olha dramaticamente para a esquerda e depois seu olhar se desvia a direita. Faz uma pausa deliberada, cofiando a barba esvoaçante. Ele olha diretamente para Deus e estronda numa voz poderosa: "Deus, nós nos conhecemos muito bem. O Senhor fez um bom trabalho no Mar Vermelho e com o exército de Faraó. Mas, será que eu não poderia ter colocado pelo menos um pé na terra de Canaã? Tenho esta queixa contra o Senhor há milhares de anos e preciso desabafar. Minha experiência com o Senhor não tem sido totalmente agradável. Fui deliberadamente exaltado para depois ser humilhado. Tudo que fiz foi bater na rocha! Que mal a nisso!"

"Olhe" - Moisés continua, elevando a voz emocionado. "Desisti do conforto do Egito, como segundo em autoridade ao Faraó. Segui ao Senhor sem vacilar. Tudo o que obtive em troca foram 40 anos nos confins de um terrível deserto, outros 40 anos tratando com uma multidão de pessoas que se comportavam como mentecaptos mal agradecidos, e depois morri justamente 30 dias antes de todos os outros entrarem na Terra Prometida! Estou desgostoso. O Senhor simplesmente não é 'justo'!”

Deus sorri reverentemente e em silêncio faz um aceno par o próximo da fila.

João Batista pigarreia nervosamente, lançando um olhar pra o papel amassado que guarda na mão. Ele começa, "Deus, sei que o Senhor é reto e santo, mas estou realmente aborrecido. Quanto mais penso, tanto mais me enraiveço. Deixe-me fazer uma pergunta: O Senhor já teve que comer gafanhotos? Eu tive - UFA! Além disso, o Senhor me obrigou a andar por morros e vales, gritando sobre o arrependimento com toda a força dos meus pulmões. E isso não é tudo. Depois de trabalhar tanto por sua causa, terminei numa cela da prisão e, a seguir sem cerimônia alguma minha cabeça foi cortada! Isso não é 'justo'! Acredito que me explorou para proveito próprio. É dessa forma que age? Se agrada em espremer as pessoas, tirando tudo delas e depois jogá-las fora? É isso que faz?"

Deus sorri brandamente e acena pra o outro indivíduo. Este se porta como um aristocrata. Seu nome é Jó. Ele passa levemente o dedo pelo nariz e fala, "Deus, sei que o Senhor tem tudo sobre controle. Mas, penso que é um 'desmancha-prazeres cósmico’. Deve ficar sentado em seu trono esperando que alguém esteja gozando a vida ao máximo, e então ri sinistramente e torce satisfeito as mãos. Posso ver isso claramente: o que faz é esmagar tudo o que essa pessoa tem. Não tente fugir agora; estou aqui para comprovar pessoalmente o fato de que esse é um dos seus passatempos favoritos".

Neste ponto todos concordam vigorosamente com a cabeça e resmungam afirmativamente.

Jó continua, "Fui vítima indefesa. Sem consultar-me o Senhor deu ao diabo permissão para me destruir. Perdi 7.000 ovelhas, 3.000 camelos, meu gado, jumento, servos, sete filhos e minhas três preciosas filhas. Isso não é tudo. Enquanto me sentava nas cinzas de minha casa queimada, cuidando de meus tumores, minha mulher me disse que eu havia perdido a integridade e que deveria blasfemar contra o Senhor e morrer. Deus, não consigo compreender como isso aconteceu comigo. O Senhor é 'injusto' em suas ações, não só comigo..."

Ao olhar a fila, Deus vê muitas pessoas cuja raiva está crescendo. João se queixa de seus "Benefícios da Previdência Social" no asilo de loucos na ilha de Patmos. Os outros discípulos estão reclamando sobre suas experiências desconcertantes com o martírio, Jeremias se queixa das condições do calabouço, onde ele ficava enterrado na lama praticamente até as orelhas.

Paulo tem uma longa lista de reclamações: Naufragou três vezes, não teve como se vestir, passou fome, foi amargamente perseguido, apedrejado, rejeitado pelo sistema religioso, encarcerado e finalmente cortaram o seu pescoço. José está extremamente raivoso por ter sido vendido como escravo, caluniado pela mulher do seu patrão, e atirado numa cela por anos... Seu único crime foi um sonho! O honesto e puro Estevão ainda tem lugares inchados e ferimentos por ter sido apedrejado até a morte.

Deus também não pode esquecer-se de Davi. Ele foi caçado como um animal raivoso pelo invejoso Saul. A seguir, depois de trinta minutos de pecado com Bete-Seba, Davi colheu literalmente o caos em sua família e no reino durante 40 anos. Cada um tem uma pasta cheia de "fatos" que justificam sua queixa básica contra Deus.

Em meio ao nosso sofrimento, nossas emoções se descontrolam. Essa é a razão de necessitarmos de um regime de impacto através da ajuda objetiva das Escrituras. Nós aqui, no século XXI, só nos ajustamos à justiça de Deus tendo um conhecimento categórico sobre Ele. (Você pode ver então a tragédia e o engano diabólico do 'evangelho da prosperidade?') - Ele é uma mentira e nos faz crer num Deus que é mera ficção. É importante também para nós compreender suas (de Deus) intenções a nosso respeito porque quando estamos sofrendo, no geral questionamos seus motivos e sua integridade.

Alguém talvez diga: "Mas Deus é tão misterioso, ninguém pode saber realmente quem Ele é!" Embora seja verdade que Deus é tão grande que nenhum pensamento humano pode contê-lo plenamente, temos, como seus filhos, capacidade de conhecê-lo. Nossa responsabilidade é colocar o conhecimento que temos sobre Deus em nossa mente e depois pedir ao Espírito Santo que o torne uma realidade viva tanto nos bons como nos maus momentos.

Os seguintes atributos de Deus estão prontos para serem bombardeados para o nosso tanque de pensamentos desde já. Preparado?

01. Deus sabe tudo (At 15.18).

02. Deus é santo (1Pe 1.15,16). Ele lhe dá o poder para andar na luz.

03. Deus é amor (1Jo 4.8). Ele está vitalmente interessado no nosso bem maior.

04. Deus é verdadeiro (Rm 3.4). Ele cumpre todos os acordos sem queixar-se as suas costas.

05. Deus não tem de dar contas a ninguém (Is 40.13-14). O que Deus faz por você não é devido a um sendo de obrigação.

06. Deus é Todo-Poderoso (Ap 19.6). Você pode sentir-se protegido pelo seu cuidado.

07. Deus é infinito e eterno (Sl 90.2) - Ele tem o ponto de vista perfeito com relação ao seu sofrimento.

08. Deus é invariável e imutável (Tg 1.17). Ele não é neurórico em sua atitude compassiva para com você.

09. Deus é Onipresente (Sl 139.1-24). Você não pode fugir da atuação dEle em sua vida.

10. Deus é reto e justo (Sl 19.9). Ele não faz acepção de pessoas.

11. Deus é o Rei do Universo (Ef 1.1-23). Ele tem tudo sob controle, inclusive a sua situação.


Nós muitas vezes desejamos que Deus se ajuste ao nosso modo de pensar. Quando esta é a abordagem, não leva muito tempo para compreendermos que estamos empenhados numa tarefa inútil. Se, porém, nos ajustarmos adequadamente aos pensamentos de Deus, nosso valor como seus servos aqui na terra irá aumentar aos olhos dEle. Podemos então deixar de lado nossos sofrimentos e levar o poder curativo da cruz de Cristo a outros que estão sofrendo. Nós nos ajustamos categoricamente ao modo de pensar de Deus.

Em resumo, Deus não vai se ajustar aos seus pontos de vista. Você pode tentar manipular a atenção dEle com choro, súplicas ou desvios. Mas depois de tudo ter sido dito e feito, você ainda terá de ajustar-se aos pensamentos de Deus, como revelados na Palavra.

Você talvez fumegue um pouco e aja insensatamente durante algum tempo, mas mais cedo ao mais tarde, depois do esgotamento total, terá de enfrentar o fato de que Ele não vai se mover. Ele está no controle. Ele é o Criador. Você sua criatura. Os cristãos humildes não tem problema com esta realidade, porque uma vez compreendida, eles entram numa esfera de maior liberdade, vida e amor dentro dos limites de sua herança espiritual.


Os epicureus, os estóicos e a sociedade hodierna
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Durante o período em que permaneceu pregando o evangelho em Atenas, o apóstolo Paulo foi afrontado por alguns filósofos epicureus e estóicos, que começaram a discutir com ele. "Alguns perguntavam: 'O que está tentando dizer esse tagarela?' Outros diziam: 'Parece que ele está anunciando deuses estrangeiros', pois Paulo estava pregando as boas novas a respeito de Jesus e da ressurreição" (At 17.18). Mas quem eram esses tais epicureus e estóicos? Inicialmente cabe ressaltar que, embora citados lado a lado, pertenciam a duas correntes filosóficas distintas, dentre as tantas existentes na Grécia.

De maneira resumida, vejamos as principais ideias dessas linhas de pensamento.

Iniciemos pelos epicureus, escola fundada por Epicuro (341-270 a.C.) no ano 300 a.C., aproximadamente. A filosofia por ele apregoada trazia em seu bojo o ensinamento de que nosso objetivo precípuo deve ser obter para a vida, através dos sentidos, o máximo possível de satisfação afastando toda e qualquer forma de sofrimento. Extremamente materialista, ensinava que o bem supremo é o prazer. Demonstravam pouco interesse por política e pela sociedade, e tinham como palavra de ordem "viva o agora".

No mesmo período e nação surge o estoicismo, fundado por Zenão. Segundo os estóicos, as pessoas são parte de uma mesma razão universal. Criam que os processos naturais eram regidos pelas leis da natureza e por isso o homem deveria aceitar deu destino. Se mostravam insensíveis a tudo.

Observando tais pensamentos, fica patente que a sociedade em nossos dias tem "um quê" de epicurismo e estoicismo.

Como os epicureus, materialista ao extremo. O homem vive como se não houvesse um porvir: importa o aqui, o agora, o imediato. Busca o prazer a todo custo. Hedonismo é a palavra-chave.

À semelhança dos estóicos, aprisionada a um fatalismo ingênuo que têm servido de desculpa para a inércia, para a inoperância, para uma vida ao "Deus dará". Dando margem à insensibilidade quanto ao sofrimento do próximo e ao próprio sofrimento, sempre utilizando as velhas máximas como desculpa: "Deus assim o quis", "Se Deus quiser" e, por conseguinte, não movendo uma palha sequer para reverter situações adversas.

No areópago, chamaram Paulo de paroleiro, tagarela, pregador de deuses estranhos. Não se preocupe se acontecer o mesmo com você. A semelhança entre os pensamentos em voga hoje e os pensamentos dos epicureus e estóicos é gritante.

Mas faça como o apóstolo: pregue mesmo que te chamem de paroleiro. Muitos desdenharão e dirão: "A respeito disso te ouviremos noutra ocasião." (At 17.32). Mas sempre haverá os "Dionísios" e as "Dâmaris" que crerão (At 17.34).

Soli Deo Gloria!

Autor: Alessandro Cristian
Fonte: [ Blog do autor ]
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