No fim dos tempos, a fé verdadeira será raríssima
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Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra? – Lucas 18.8
O Senhor Jesus mostra isso ao fazer pergunta mui solene: “quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?”.

A indagação que temos diante de nós é deveras vexatória e mostra a inutilidade de esperarmos que o mundo inteiro esteja convertido antes que Cristo volte. Mostra a tolice de supormos que todas as pessoas são “boas” e que, apesar de diferirem em questões externas, todas estão certas no coração, e vão todas para o céu. Essas noções não encontram apoio no texto diante de nós.

Afinal, de que adianta ignorar os fatos que estão diante dos nossos olhos: fatos no mundo, fatos nas igrejas, fatos nas congregações a que pertencemos, fatos lado a lado das nossas portas e lares? Onde a fé deve ser vista?

Quantos ao nosso redor creem realmente naquilo que está na Bíblia? Quantos vivem como se cressem que Cristo morreu por eles e que há um juízo, um céu é um inferno? Essas são perguntas dolorosas e graves. Mas exigem e merecem uma resposta.

E nós mesmos, temos fé? Se temos, louvemos a Deus por isso. É uma grande bênção crer na Bíblia inteira. É motivo para ações de graças diárias, se temos consciência dos nossos pecados e confiamos realmente em Jesus. Podemos ser pecadores débeis, frágeis, imperfeitos, insuficientes; mas cremos de fato? Essa é a grande questão. Se crermos, seremos salvos. Quem não crê, porém, não verá a vida e morrerá em seus pecados (João 3.36; 8.24).

Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J. C. Ryle, org. Eric Russell, Christian Focus Pub., p.100
Tradutor: Marcos Vasconcelos
Via: [ Mens Reformata ]

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"Igrejas lotadas {de} crentes vazios"
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Triste, lamentável, insuportável! É o que sinto em relação à situação da maioria das "igrejas" de hoje.

Grandes instituições e que se envaidecem com o crescimento numérico, mas que não enxergam sua real situação. Nos púlpitos, líderes que se autodenominam "Apóstolos", "Bispos", "sacerdotes". E na multidão, pessoas seduzidas pelas falsas promessas de prosperidade, grandeza e poder.

O véu do templo foi rasgado, porém os camaradas insistem em recosturá-lo, pior ainda, constroem "Templos" e dizem: "Esta é a casa de Deus, fora dela não há salvação",esquecendo-se que Deus fez do homem Seu tabernáculo através de Jesus Cristo.

Não apascentam as ovelhas de Cristo, não pregam o Evangelho do Senhor e sim criam técnicas de manipulação, querem "crescer" em números, querem a glória para si, fama, ibope. "Aqui é a última porta", "ninguém faz mais milagres que EU"! Falam de si como se fossem como um deus.

Poder é o que pregam, querem o tal "PODER".'Vocês tem que pedir mais poder"! (Eu sei é que por conta desse tal de poder, muitos foram à ruína).

A palavra chave é: "Sobrenatural".

"Hoje vamos trazer o céu até aqui"! Ué, não é a "Igreja" que vai para o céu?

Loucos, lobos devoradores é o que são. E os analfabetos de bíblia dizem "amém" para tudo o que dizem, parecem até aquelas lagartixas que a cabeça balança à toa.

Os cultos são "alegres", "avivados", cheios de festa. Danças, palmas, gritos, gemidos.Há todo tipo de bizarrice e estupidez. Onde está o Evangelho? Onde está Jesus Cristo em suas músicas egocêntricas e chantagistas?

O "tal" Novo Testamento já não é mais lido, pra quê? É tão sem graça, não tem atos proféticos, nem profecias ou promessas de triunfo e vida arregalada.

Como mitômanos vivem cegamente a sua historinha que só é verdade para eles. E, cheios de "poder", "profetizam" e "declaram" :"Somos, temos, podemos".

Se parassem por um instante para ler o Evangelho de Jesus Cristo, se calassem suas bocas tagarelas por um minuto ouviriam o Senhor falar. Então perceberiam que são muitos, milhares de "crentes" vazios.

E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:

Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!

Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.
Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;

Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.

Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te.

Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.

Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono.

Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Apocalipse 3;14-22.


Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Márcia Gizella.
Fonte: [ Não abro mão da Graça ]

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Servindo a Deus ou ao Dinheiro - John Piper

Jesus adverte: "Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro" (Mateus 6.24). Aqui, a idéia de "servir" é peculiar. Relaciona-se mais com a adoração que com a prestação de serviço. Jesus declara: "Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro". Como servimos ao dinheiro?

A resposta não é: servindo serviço ao dinheiro, nem prestando ajuda ao dinheiro ou atendendo às necessidades do dinheiro. A resposta é o oposto: servir ao dinheiro significa esperar que ele lhe preste serviço, lhe proporcione ajuda e atenda às suas necessidades. Servir ao dinheiro significa planejar, sonhar, usar estratégias e manobras para priorizar a riqueza e o que o dinheiro pode proporcionar. O dinheiro é o doador e o benfeitor nessa relação entre servo e senhor. Não podemos fazer nada de útil ao dinheiro. Queremos dinheiro para que ele nos seja útil.

E Jesus diz: "Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro". O significado de "servir" seria hipoteticamente o mesmo, tanto em re¬lação a Deus quanto ao dinheiro. Portanto, o mandamento de Jesus para servir a Deus não tem o sentido de prestar-lhe serviço ou ajuda. Tem o sentido oposto. Esperamos que Deus seja nosso auxílio, nosso benfeitor e tesouro. Servi-lo significa planejar, sonhar, usar de estratégias e manobras para elevar ao máximo nossa alegria em Deus e no que ele promete ser para nós. Assim, Deus, não o dinheiro, passa a ser o doador e o benfeitor nesse relacionamento entre servo e senhor. Não atendemos às necessidades de Deus (ele não tem nenhuma!). O que esperamos é que Deus atenda às nossas.

O dinheiro é um assunto crucial para Jesus porque ao longo do tempo, em todas as culturas e em todas as eras, ele substitui a Deus como o tesouro de nosso coração e se transforma em objeto de nossa adoração. Transforma-se em grande ameaça à nossa obediência ao primeiro e ao último dos Dez Mandamentos: "Não terás outros deuses além de mim" (Êxodo 20.3) e “Não cobiçarás" (v. 17). O dinheiro representa todas as coisas materiais, bem como segurança e os prazeres que ele pode comprar. Representa o grande substituto de Deus em nosso coração. É por isso que a maneira em que lidamos com o dinheiro é tão importante para Jesus.

O EGOÍSMO SEPARA-NOS DO CÉU, E O SACRIFÍCIO INTENSIFICA NOSSA ALEGRIA NELE

Retornemos ao ponto principal do primeiro parágrafo deste capí¬tulo: quanto mais generoso você for neste mundo e mais sacrifícios fizer, maior será sua alegria no céu. Duas coisas foram ditas aqui. Primeira: o egoísmo mantém-nos afastados do céu. Segunda: há gradações de recompensa no céu, ou seja, gradações de alegria, dependendo da gradação de nossa generosidade e de nossos sacrifícios neste mundo. As duas afirmações são controvertidas, mas, em razão do que vimos nos capítulos anteriores, não deveriam nos surpreender. No próximo capítulo, analisarei uma por vez, a fim de esclarecer as palavras de Jesus.
A natureza boa e a firmeza - C. H. Spurgeon

Não sejam totalmente doces, ou o mundo sugará vocês; mas também não sejam totalmente azedos, ou o mundo não respeitará vocês. Há um meio termo em todas as coisas, apenas os teimosos adotam os extremos. Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Não precisamos bajular todo mundo como os cachorros tolos que abanam o rabo para todos, nem agredir todo mundo como mastins ferozes. Brancos e negros caminham juntos construindo o mundo. Por isso, do ponto de vista do temperamento, temos que nos relacionar com todos os tipos de pessoas. Algumas pessoas são tão dóceis como um sapato velho, mas dificilmente um pé vale mais que o outro; outras se inflamam mais depressa do que uma isca, diante da menor ofensa, e são tão perigosas como pólvora. Ter um companheiro para andar de lá para cá pela fazenda, hostil com todos como um urso que não sabe perder, de temperamento tão azedo como leite estragado, tão agressivo como o fio de uma navalha, com uma aparência tão mal humorada quanto à de um cão carniceiro é um grande aborrecimento, mesmo que tenha aspectos bons. Mas coitado do generoso Tommy, tão ingênuo, sempre pronto a se curvar como um bambu, não tem valor para ninguém e é alvo do desprezo de todos. Um homem deve ter caráter, senão como pode manter a cabeça erguida? Mas esse caráter deve se curvar, ou ele encontra muitas dificuldades. Existem momentos em que devemos fazer como os outros querem, mas também o de se recusar a fazer isso. Se nos fizermos de burros, todos montam em nós, mas se nos fazemos respeitar, somos donos de nós mesmos e não deixamos os outros colocarem sela em nós como acham que podem fazer. Se tentamos agradar a todos, somos como um sapo preso em uma grade e nunca temos paz, e se somos lacaios para todos nossos vizinhos, bons ou maus, não temos o agradecimento de nenhum deles, pois logo causamos tanto o mal quanto o bem. O que se faz de ovelha descobre que os lobos não estão todos mortos. O que fica deitado no chão pode ter certeza que será pisado. O que faz de si mesmo um rato come as iscas Se vocês permitem que seus vizinhos levem seu bezerro nas costas, eles o farão e logo abaterão sua vaca. Nós devemos agradar nossos vizinhos pelo seu bom aperfeiçoamento moral, mas, isso é um assunto completamente diferente. Há raposas velhas cujas bocas estão sempre salivando em busca de gansos jovens, e se elas conseguem persuadi-los a fazer exatamente o que querem, logo os põem à venda. Os amigos o considerarão um ótimo companheiro se fizer o papel do cavalo que faz trabalhos comunitários, logo o meterão em confusão!

Além da confusão, vocês terá de conseguir tudo sozinho, pois, seus amigos, com certeza, dirão a você: "Adeus cesto, já carreguei todas as minhas maçãs", ou lhe desejarão os melhores votos e nada mais, e você descobre que palavras amáveis são apenas bajulação, não enchem a barriga de ninguém. Os que fazem muito caso de vocês não pretendem nem enganar nem precisar de vocês, quando sugam a laranja, jogam a casca fora. Por isso, sejam sábios e olhem antes de pular, a fim de que o conselho de um amigo não cause mais desordem que a difamação de um inimigo. "O inexperiente acredita em qualquer coisa, mas o homem prudente vê bem onde pisa". Sigam com seu vizinho até onde o bom senso estiver com vocês, mas se separem a partir do momento em que o sapato da consciência começar a apertar seus pés. Comece com seu amigo do mesmo modo que pretende continuar e, desde o início, faça-o saber que você não é um homem feito de massa, mas alguém que tem opinião sobre si mesmo e pretende usá-la. Pare no momento em que descobrir que está fora da estrada e pegue imediatamente o atalho de volta mais próximo. A forma de evitar grandes erros é cuidar dos pequenos. Portanto, pare a tempo se não quiser que seu amigo o leve para o fosso. É melhor ofender seu conhecido que perder seu caráter e arriscar sua alma. Não se envergonhe de descer a pé a Turnagain Lane. Nunca se preocupe em ser chamado de vira-casaca quando se desviar de caminhos negativos; é melhor virar a tempo que queimar na eternidade. Não se deixe persuadir a arruinar a si mesmo – desprezar a si mesmo para agradar os companheiros é desperdiçar dinheiro com algo que não vale a pena. Olhe sempre onde pisa e não permita que ninguém o afaste do caminho certo. Aprenda a dizer "Não", pois isso é mais útil para você que aprender latim.

Com freqüência, aquele que é amigo de todos não é amigo de ninguém, ou pior, em sua simplicidade, ele rouba a família para ajudar estranhos e se torna irmão de indigentes. Há sabedoria na generosidade, como em tudo mais, alguns precisam ir à escola para aprender isso. Uma pessoa bondosa pode ser muito cruel com os próprios filhos quando tira o pão da boca deles para dá-lo aos que o chamam de companheiro generoso, mas que riem da sua insensatez. Com muita freqüência, quem empresta dinheiro, perde tanto os amigos como o dinheiro. E o que é fiador nunca está seguro. Aproveite os conselhos de João Lavrador, e nunca seja fiador de mais do que você está realmente disposto a perder. Lembre-se a palavra de Deus diz: "Quem serve de fiador certamente sofrerá, mas quem se nega a fazê-lo está seguro".

Quando somos ofendidos, como cristãos, somos compelidos a suportar isso sem maldade, mas não temos a pretensão de não sentir, pois isso não faria nada além de encorajar nossos inimigos a nos chutarem de novo. O que é enganado duas vezes pelo mesmo homem é quase tão mau quanto o trapaceiro; e é muito pior em outras ofensas. A não ser que reivindiquemos nossos direitos, nós mesmos nos culparemos se não os conseguirmos. Paulo estava disposto a suportar açoites pelo seu Mestre, mas, ele não se esqueceu de dizer aos juízes que era romano; e quando aqueles homens quiseram tirá-lo da prisão secretamente, ele disse: "Não! Venham eles mesmos e nos libertem". O cristão é o mais nobre dos homens, mas mesmo assim é um homem. Para uma boa parte de pessoas não é preciso se dizer isso, pois se vê que há possibilidade de alguém prejudicá-la, cuida disso em instantes. Muito antes de saber se há um ladrão, no pátio da fazenda ou se foi a velha égua que se perdeu, já está a postos na janela a fim de despachar o desajeitado no mesmo instante. Esses vizinhos são perigosos; é mais fácil um homem escapar dos chifres de um touro que encontrar conforto em uma vizinhança assim.

Não faça amizade com um homem irado e não acompanhe um homem furioso. "O homem paciente dá prova de grande entendimento, mas o precipitado revela insensatez".Você já viu um homem precipitado nas palavras? Há mais esperança em um tolo que nele.

No meu tempo conheci poucos homens totalmente obstinados que nem o sentimento nem a razão tiveram condição de mudar. Em nossa aldeia há um desses homens estranhos, ele tem um buldogue e disse-me que quando o animal morde alguma coisa de repente, ele não a larga mais, e se você quiser tirar o que for de sua boca tem de cortar fora sua cabeça. Foi um homem desse tipo que me amofinou muitas vezes e quase me deixou louco. Seria mais fácil argumentar com um forcado em uma debulhadora ou persuadir um pedaço de tijolo a se transformar em mármore do que incutir bom senso naquele homem. Tirar as manchas do leopardo não é nada comparado a tentar conduzir um homem completamente obstinado. Certo ou errado, é mais fácil fazer uma montanha caminhar até Londres que fazer com que ele mude de idéia se estiver decidido. É uma coisa maravilhosa quando um homem mantém-se firme ao seu texto (nosso ministro diz: "Esse é o material de que são feitos os mártires"), mas quando ele é ignorante, os desatinados introduzem esse grão duro nele, e ele transforma em mártires os que têm de caminhar com ele. O velho Senhor Cabeça de Porco, como não conseguiu vender seu milho pelo preço que queria, deixou os ratos devorarem montes dele e jurou que pregaria com força um prego na casca de um carvalho com o próprio punho a fim de danificar a mão para o resto da vida. É impossível cavalgar pelos seus campos sem perceber sua obstinação, pois ele prometeu solenemente "que não adotaria nenhuma dessas idéias modernas" e como resultado disso teve a pior colheita da região. O pior de tudo é que, em um acesso de raiva, expulsou a filha de casa, porque ela se juntou aos metodistas. Acredito que ele se arrependeu muito disso, mas não cedeu em um centímetro em relação ao assunto e continua dizendo que nunca mais falará com ela enquanto viver. Entretanto, a pobre garota está morta de tristeza por causa dessa grosseria. Promessas precipitadas são mais fáceis de serem quebradas do que mantidas. O que nunca muda, nunca melhora; o que nunca grita, nunca conquista.

Com os filhos, vocês precisam misturar gentileza com firmeza, elas não podem sempre fazer tudo do jeito deles, mas também não podem sempre ser contrariados. Alimente o porco quando ele grunhe, e à criança quando ela chora, e você terá um porco dócil e uma criança mimada. O homem que está aprendendo a tocar trombeta e uma criança mimada são duas companhias muito desagradáveis, mesmo como vizinhos próximos; mas a não ser que cuidemos bem disso, nossos filhos serão um aborrecimento para os outros e um tormento para nós mesmos. "A vara da correção dá sabedoria, mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe".Se não nos dermos ao trabalho de repreender nossos filhos, teremos muitas dores de cabeça quando crescerem. A absoluta coerência deve regular todos os nossos procedimentos com os jovens; sempre nosso sim deve ser sim, e o nosso não, não. Nunca prometa um doce ou uma surra a uma criança e deixe de cumprir. Faça-se obedecer a qualquer preço – crianças desobedientes são infelizes, por amor a elas faça com que prestem atenção em você. Se você ceder em sua autoridade uma vez, dificilmente a recupera, pois seu A pode significar B, e assim por diante. Não devemos provocar a raiva de nossas crianças para que não se desencorajem; mas devemos dirigir nosso lar no temor a Deus e seremos abençoados ao fazer isso.

Desde que João Lavrador começou a escrever, ele teve a excelente oportunidade de mostrar sua firmeza e gentileza, pois recebeu uma enorme quantidade de conselhos pelos quais, como diz a esposa do fazendeiro, ele apresenta seus cumprimentos. Para mostrar sua gratidão, ele não se importa em devolver um conselho que recebeu, em vez de dar um dos seus; pois está certo de que é muita gentileza de algumas pessoas dizerem-lhe, de s diversas formas, como fazer de si mesmo um idiota. Ele pretende juntar aos poucos tantas sugestões quantas puder dos restolhos de seus inúmeros amigos, enquanto procura o estilo que se ajusta melhor a ele, e, se possível, essas sugestões o deixarão um pouco mais em contato consigo mesmo. Talvez se o ministro lhe emprestasse Cowper ou Milton, ele pudesse até dar um toque de poesia em seu ramalhete para ficar tão belo como as flores de maio. Mas ele não pode prometer, pois a colheita apenas começou e não há tempo para rimas em meio à colheita. O pior de tudo é que esses amigos, que corrigem João, contradizem uns aos outros; um diz que o assunto é muito insignificante, o estilo não é simplório o suficiente para um lavrador, todos se manifestam com nome fictício; outro diz que a matéria está muito boa, mas as expressões são tão grosseiras que seria surpreendente o editor pô-las em uma revista. João pretende dar aos seus conselheiros toda a atenção que eles merecem; e da mesma forma que os ratos que tiveram coragem suficiente para fazer um ninho no focinho do gato, ele pretende ir atrás deles e, em resposta às instruções deles, escrever conselhos gratuitos minuciosos em um papel, conselhos esses que provavelmente os deixarão com a pulga atrás da orelha.


Eudemonismo
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Eudemonismo é uma palavra incomum pela qual eu talvez deva pedir desculpas. Eu a uso porque é a única palavra que eu conheço que serve. Não tem nada a ver com demônios. Vem da palavra grega para "feliz", eudaimon, e Webster a define como "o sistema de filosofia que faz da felicidade humana seu objeto mais alto". Uso a palavra como rótulo para a ótica da felicidade, significando a presença do prazer, e o livrar-se de tudo que é desagradável.

O eudemonismo diz que, já que a felicidade é o valor supremo, podemos confiantemente olhar para Deus aqui e agora para nos proteger de coisas desagradáveis em cada circunstância, ou então, se as coisas desagradáveis aparecerem, livrar-nos delas imediatamente, pois nunca é da vontade dele que tenhamos que conviver com elas. Este é um princípio básico da religião da banheira quente. Infelizmente, entretanto, é um princípio falso. Perde de vista o lugar do sofrimento na santificação, por onde Deus treina seus filhos para compartilharem de sua santidade (veja Hb 12.5-11). Tal erro pode provocar uma ruína.

A felicidade, no sentido em que a definimos, será gozada no céu. Apocalipse 7.16-17 nos mostra isso. Quando formos glorificados com Cristo, nossa condição será de alegria consciente e deleite completo em tudo que nos cerca (o mais alto grau de felicidade), e não simplesmente de quieto contentamento com o modo como as coisas são (felicidade em seu grau mais baixo). Mas há um perigo. O céu é um estado de santidade que somente pessoas com gostos santos apreciarão e no qual somente pessoas de caráter santo podem entrar (Ap 21.27; 22.14ss). De acordo com isso, o propósito presente de Deus é operar santidade — isto é, a semelhança de Cristo — em nós, para nos adequar ao céu. É precisamente o interesse de Deus em nossa felicidade futura que o leva a concentrar-se aqui e agora em nos tornar santos, pois "sem santidade ninguém veráaDeus"(Hb 12.14).

A santidade não é um preço que pagamos para a salvação final; é, antes, a estrada pela qual nos aproximamos dela, e a santificação é o processo pelo qual Deus nos guia por essa estrada. O Novo Testamento nos mostra que na escola da santificação muitas modalidades de dor têm seu lugar — desconforto físico e mental, e pressão, desapontamento pessoal, restrição, mágoa e aflição. Deus usa essas coisas para ativar o poder sobrenatural que opera nos crentes (2Co 4.7-11); para substituir a autoconfiança com confiança total no Senhor que nos dá forças (1.8ss; 12.9s.);e para dar continuidade a seu trabalho santo de nos transformar daquilo que somos por natureza na semelhança moral de Jesus "de glória em glória" (2Co 3.18). Assim ele nos prepara para aquilo que já havia preparado para nós, confirmando a afirmação de Paulo de que "Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade ... para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo" (2Ts 2.13-14; cf.Ef 5.25-27; Tt2.11-14; 3.4-7).

Crianças que fazem o que querem e são constantemente protegidas de situações em que poderiam sentir-se magoadas, nós as descrevemos como crianças estragadas. Quando dizemos isso, estamos expressando que a paternidade superindulgente não só as deixa malcomportadas hoje como também não as prepara para as exigências morais da vida adulta amanhã — dois males pelo preço de um. Mas Deus, que tem sempre os olhos no amanhã enquanto trata conosco hoje, nunca estraga seus filhos, e o curso de treinamento em vida santificada em que nos matricula, e que dura a vida toda, propõe-nos desafios e testa-nos até o máximo repetidas vezes. Os hábitos de agir e reagir à semelhança de Cristo — em outras palavras, o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, generosidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gl 5.22s.) — ficam cada vez mais arraigados à medida que aprendemos a mantê-los através de experiências de dor e desagrado, que em retrospecto parecem ter sido o formão de Deus para esculpir nossas almas. A santificação é mais do que isso, mas não menos. "É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos)", escreve o autor de Hebreus. "Pois que filho há que o pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos" (Hb 12.7-8). Filhos bastardos reconhecidamente passam sem cuidados, mas para vocês que crêem, o escritor afirma, não será assim. Seu Pai celeste tem amor suficiente para instruí-los no viver santo. Apreciem o que ele está fazendo e estejam dispostos para as asperezas que o programa dele para vocês inclui.

Assim, visto que Deus realmente nos ama, qualquer forma da idéia de que ele deva ter a intenção de isentar-nos, ou então imediatamente livrar-nos, de todas as dificuldades que ameaçam — problemas de saúde, isolamento, família desfeita, falta de dinheiro, hostilidade, crueldade, ou o que quer que seja — precisa ser descartada como totalmente errada. Os crentes fiéis irão experimentar ajuda e livramento em tempos de angústia muitas e muitas vezes. Mas nossa vida não vai ser de bem-estar, conforto e prazer de fio a pavio. Serão abundantes os carrapichos debaixo da sela e os espinhos na cama. Ai do adepto da religião do “prazer materialista” que fizer vista grossa para esse fato.

Autor: J. I. Packer
Via: [ Josemar Bessa ]

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A Matança dos cananitas
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Por William Lane Craig

Questão 1:

Nos fóruns, tem havido muitas boas questões levantadas acerca do assunto da ordem de Deus para os judeus cometerem “genocídio” às pessoas da terra prometida. Como você tem colocado em alguns de seus trabalhos escritos que estes atos não se ajustam com o conceito ocidental de Deus sendo um doce papai no céu. Agora nós certamente podemos encontrar justificativas para aquelas pessoas ficarem debaixo do julgamento de Deus por causa dos seus pecados, idolatria, sacrifício de suas crianças, etc. Mas uma difícil questão é a matança de crianças e bebês. Se as crianças são jovens o suficiente juntamente com os bebês são inocentes dos pecados que a sua comunidade tinha cometido. Como nós reconciliaremos esta ordem de Deus para matar as crianças com o conceito de Sua Santidade? – Obrigado, Steven Shea.

Questão 2:

Eu tenho ouvido você justificar a violência do AT com a base de que Deus usou o exército Israelita para julgar os cananitas e a eliminação deles pelos israelitas é moralmente correta por que eles estavam obedecendo a uma ordem de Deus (devia ser errado se eles não tivessem obedecido a Deus na ordem de eliminar os cananitas). Isto se assemelha um pouco em como os Muçulmanos definem moralidade e justificam a violência de Maomé e outras questões morais questionáveis (os muçulmanos definem moralidade como o cumprimento da vontade de Deus). Você pode ver alguma diferença entre a sua justificativa da violência no AT e a justificação islâmica de Maomé e os versículos violentos do Alcorão? São a violência e as ações questionáveis de moralidade e os versículos do Alcorão bons argumentos ao falar com os muçulmanos? - Anônimo

Dr. Craig responde:

De acordo com o Pentateuco (os cinco primeiros livros do Antigo Testamento), quando Deus tirou seu povo da escravidão do Egito e os fez voltar para a terra dos seus antepassados, Ele os direcionou para matar todo o povo cananita que estavam vivendo na terra (Dt. 7:1-2; 20:16-18). A destruição seria completa: cada homem, mulher e criança seriam mortos. O livro de Josué conta a história dos israelitas levando a cabo a ordem de Deus cidade após cidade do começo ao fim de Canaã.

Esta história ofende nossa sensibilidade moral. Ironicamente, contudo, nossa sensibilidade moral no Ocidente foi basicamente, e para muitas pessoas inconscientemente, formada por nossa herança judaico-cristã, a qual nos ensinou os valores intrínsecos dos seres humanos, a importância da conduta justa mais que caprichosamente, e a necessidade da adequada punição para o crime. A Bíblia mesma inculca os valores os quais estas histórias parecem violar.

A ordem para matar as pessoas cananitas está discordante precisamente porque ela parece tão em desacordo com o retrato de Javé, o Deus de Israel, como Ele é pintado nas Escrituras Hebraicas. Contrariamente à retórica vituperante de alguns como Richard Dawkins, o Deus das Escrituras hebraicas é um Deus de justiça, que sofre e de compaixão.

Você não pode ler os profetas do Antigo Testamento sem um senso de profundo cuidado de Deus pelos pobres, oprimidos, humilhados, órfãos e outros. Deus demanda justas leis e justas regras. Ele literalmente suplica às pessoas que se arrependam de seus caminhos errados que Ele poderia não julgá-los. “Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva” (Ez. 33:11).

Ele enviou um profeta até mesmo para a cidade pagã de Nínive por causa da Sua compaixão pelos habitantes, “homens que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda” (Jn 4:11). O próprio Pentateuco contém os 10 mandamentos, um dos maiores códigos morais da antiguidade, os quais moldaram a sociedade ocidental. Até mesmo o severo “olho por olho, dente por dente” não foi uma descrição de vingança, mas uma verificação na punição excessiva para cada crime, servindo para moderar a violência.

O julgamento de Deus é qualquer coisa, menos caprichoso. Quando o Senhor anunciou de julgar Sodoma e Gomorra pelos seus pecados, Abraão corajosamente perguntou,

E chegou-se Abraão, dizendo: Destruirás também o justo com o ímpio? Se porventura houver cinqüenta justos na cidade, destruirás também, e não pouparás o lugar por causa dos cinqüenta justos que estão dentro dela? Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra? (Gn 18:25).

Tal como o negociante do Oriente Médio pechincha em uma barganha, Abraão continuadamente diminuiu o preço, e a cada vez Deus se comprometeu, sem nenhuma hesitação, garantindo a Abraão que se houvesse até mesmo 10 pessoas corretas na cidade, Ele não a destruiria por causa deles.

Então o que é que Javé está fazendo comandando o exército judeu para exterminar o povo cananita? É precisamente porque nós esperamos que Javé agisse justamente e com compaixão que nós achamos estas histórias tão difíceis de compreender. Como pode Ele comandar soldados para matar crianças?

Agora, antes de tentar dizer algo em forma de responda para esta difícil questão, nós devemos por bem primeiramente parar e perguntar a nós mesmos o que está em jogo aqui. Suponha que nós concordemos que se Deus (que é perfeitamente bom) existe, Ele não poderia ter emitido semelhante ordem. O que se segue? Que Jesus não ressuscitou dos mortos? Que Deus não existe? Dificilmente! Então qual é o suposto problema?

Eu tenho freqüentemente ouvido populares levantarem esta ordem como uma refutação do argumento moral para a existência de Deus. Mas eles estão obviamente enganados. A afirmação de que Deus não pode ter emitido tal ordem não falsifica ou diminui qualquer das duas premissas no argumento moral que eu defendo:

  1. Se Deus não existe, valores morais objetivos não existem;

  2. Valores morais objetivos existem;

  3. Então, Deus existe.

De fato, à medida que os ateus pensam que Deus fez algo moralmente errado na ordenação do extermínio dos cananitas, eles afirmam a premissa (2). Então, qual é o suposto problema?

O problema, parece-me, é que se Deus não emitiu tal ordem, então a história bíblica deve ser falsa. Qualquer um dos incidentes nunca realmente aconteceu, mas é apenas folclore israelita; ou senão, se elas aconteceram então Israel, cheio de um completo fervor nacionalista, pensando que Deus estivesse do lado dele, afirmou que Deus os comandou para cometer estas atrocidades, quando de fato Ele não os comandou. Em outras palavras, este problema realmente é uma objeção à inerrância bíblica.

De fato, ironicamente, muitos críticos do Antigo Testamento são céticos que os eventos da conquista de Canaã ocorreram. Eles tomam estas histórias como parte da lenda da fundação de Israel, de forma semelhante ao mito de Rômulo e Remo e a fundação de Roma. Para tais críticos o problema das ordenações de Deus desaparece.

Agora vamos colocar esta ordem em uma perspectiva totalmente diferente! A questão da inerrância bíblica é importante, mas não é como a existência de Deus ou a deidade de Cristo! Se os cristãos não podem encontrar uma boa resposta para a questão antes de nós e estão, além disso, convencidos que tal comando é inconsistente com a natureza de Deus, então nós teremos que desistir da inerrância bíblica. Mas nós não devemos deixar um descrente levantar esta questão enganando-se pensando que ele implica mais do que ele realmente faz.

Eu penso que um bom começo para este problema é enunciar nossa teoria ética que fundamenta nossos julgamentos morais. De acordo com a versão do mandamento divino ético que eu defendo, nossas obrigações morais são constituídas pelos mandamentos de um santo e amoroso Deus. Uma vez que Deus não emite ordens a si mesmo, Ele não tem obrigações morais para cumprir. Ele certamente não esta sujeito às mesmas obrigações e proibições a que nós estamos. Por exemplo, eu não tenho nenhum direito de tirar a vida de um inocente. Para mim, fazer isto me tornaria um assassino. Mas Deus não tem tal proibição. Ele pode dar e tirar a vida como Ele decidir. Nós todos reconhecemos isto quando censuramos alguma autoridade que presume tirar vidas como “brincar de Deus”. Autoridades humanas arrogam a si mesmas direitos os quais cabem somente a Deus. Deus não está sob qualquer obrigação para estender minha vida por mais um segundo. Se Ele quiser me desferir a morte agora, esta é Sua prerrogativa.

O que isto implica é que Deus tem o direito de tomar as vidas dos cananitas quando Ele achar melhor. Quanto tempo eles vivem e quando eles morrem é decisão Dele.

Então o problema não é que Deus terminou com a vida dos cananitas. O problema é que Deus mandou os exércitos israelenses acabarem com elas. Não é como mandar alguém cometer assassinato? Não, não é. Antes, uma vez que nossas obrigações morais são determinadas pelos mandamentos de Deus, Ele está mandando fazer algo que, na ausência da ordem divina, poderia ser assassinato. O ato era moralmente obrigatório para os soldados israelitas em virtude do mandamento divino, ainda que, tivessem eles o tratado em sua própria iniciativa, eles estivessem errados.

Na teoria do mandamento divino, então, Deus tem o direito de ordenar uma ação, a qual, ausente de um mandamento divino, seria pecado, mas a qual é moralmente obrigatória em virtude deste mandamento.

Muito bem; mas tal ordem não é contrária à natureza de Deus? Vamos olhar este caso mais de perto. É talvez significativo que a história da destruição de Sodoma por Javé – juntamente com Suas sérias garantias a Abraão que se houvessem tantas quanto até mesmo 10 pessoas retas em Sodoma, a cidade não seria destruída – dá forma a parte do fundo para a conquista de Canaã e ao mandamento de Javé de destruir as cidades lá. A implicação é que os cananitas não são pessoas retas, mas estão sob o julgamento de Deus.

De fato, antes da escravidão no Egito, Deus falou a Abraão,

“Sabes, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos... e a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia.” (Gn. 15:13,16)

Pense nisto! Deus suspende seu julgamento aos cananitas por 400 anos porque sua perversidade ainda não tinha atingido o ponto de intolerabilidade! Este é o Deus que suporta a dor que nós conhecemos das Escrituras hebraicas. Ele até mesmo permite que Seu povo escolhido definhe na escravidão por 4 séculos antes de determinar que o povo cananita esteja pronto para o julgamento e tirar o Seu povo do Egito.

No tempo de sua destruição, a cultura cananita era, de fato, devassa e cruel, abraçando práticas tais como prostituição cultual e até mesmo sacrifício de crianças. Os cananitas estão para ser destruídos “Para que não vos ensinem a fazer conforme a todas as suas abominações, que fizeram a seus deuses, e pequeis contra o SENHOR vosso Deus.” (Dt 20:18). Deus tinha razões moralmente suficientes para Seu julgamento sobre Canaã, e Israel era meramente o instrumento da Sua justiça, da mesma fora que centenas de anos depois Deus usaria as nações pagãs da Assíria e Babilônia para julgar Israel.

Mas tirar a vida de crianças inocentes? A terrível totalidade da destruição foi incontestavelmente à proibição da assimilação de nações pagãs. No ordenamento da destruição completa dos cananitas, o Senhor falou: “Nem te aparentarás com elas; não darás tuas filhas a seus filhos, e não tomarás suas filhas para teus filhos; Pois fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do SENHOR se acenderia contra vós, e depressa vos consumiria.” (Dt 7:3-4). Este mandamento é parte e parcela de toda a estrutura da complexa e característica lei judia de práticas puras e impuras. Para a contemporânea mente ocidental muitas das regras da lei do Antigo Testamento parecem absolutamente bizarras e sem sentido: não misturar linho com lã, não usar os mesmos recipientes para carnes e laticínios, etc. O impulso que sobrepujava estas regras é a proibição de vários tipos de mistura. Linhas claras de distinção são esboçadas: isto e não aquilo. Isto serviu como um tangível e diário lembrete que Israel é um conjunto especial de pessoas separado para Deus.

Eu falei uma vez com um missionário indiano que me contou que a mente oriental tem uma tendência inveterada com respeito à amalgamação (fusão). Ele falou que os Hindus ouvem o evangelho sorrindo e dizem “Sub ehki eh, sahib, sub ehki eh!” (Tudo é Um, sahib, Tudo é Um!). Faz quase o impossível para alcançá-los por causa até mesmo das contradições lógicas incluídas no todo. Ele disse que ele pensa que a razão de que Deus deu a Israel tantas ordens arbitrárias sobre pureza e impureza era para ensiná-los a Lei da Contradição!

Por definição em tal grau forte, severa dicotomia Deus ensinou Israel que qualquer assimilação com a idolatria pagã era intolerável. Era Sua forma de preservar a saúde e posteridade espiritual de Israel. A matança das crianças cananitas não apenas serviu para prevenir uma assimilação da identidade cananita, mas também serviu como uma ilustração tangível e detalhada da separação de Israel como um povo exclusivo de Deus.

Além do mais, se nós acreditarmos, como eu acredito, que a graça de Deus é estendida para aqueles que morreram na infância ou como pequenas crianças, a morte destas crianças era verdadeiramente sua salvação. Nós somos tão apegados à perspectiva naturalista terrena, que nós esquecemos que aqueles que morrem estão felizes por deixar esta terra pela alegria incomparável do paraíso. Então, Deus não faz nada errado ao tomar suas vidas.

Então o que Deus faz de errado ao comandar a destruição dos cananitas? Não os cananitas adultos, porque eles eram corruptos e mereciam o julgamento. Não as crianças, porque eles herdaram a vida eterna. Então quem é o transgressor? Ironicamente, eu penso que a maior dificuldade de todo este debate é o aparente erro que os soldados israelenses fizeram a si mesmos. Você pode imaginar que seria como ter que invadir uma casa e matar uma mulher aterrorizada e seus filhos? O efeito brutal nestes soldados israelenses são perturbadores.

Mas então, novamente, nós estamos pensando de um ponto de vista ocidental cristianizado. Para as pessoas do mundo antigo, a vida já era brutal. Violência e guerra eram fatos da vida na vivência das pessoas no oriente antigo. Evidências deste fato é que as pessoas que contam estas histórias aparentemente não pensam nada do que os soldados israelenses estavam ordenados a fazer (especialmente se estas são lendas da fundação de uma nação). Ninguém estava com peso na consciência pelos soldados terem matado os cananitas; aqueles que o fizeram se tornaram heróis nacionais.

Além do mais, meu ponto acima retorna. Nada podia ilustrar para os israelitas a seriedade de sua chamada como povo escolhido de Deus somente. Javé não estava brincando com eles. Ele estava falando sério, e se Israel apostatasse, a mesma coisa aconteceria com eles. Como C. S. Lewis colocou, “Aslan não é um leão manso”.

Agora, como relacionar tudo isto a Jihad Islâmica? O islamismo vê a violência como um meio para propagar a fé muçulmana. O Islamismo divide o mundo em duas partes: a dar al-Islam (Casa da Submissão) e a dar al-harb (Casa da Guerra). A primeira são aquelas terras as quais têm sido adquiridas em submissão ao Islamismo; a última são aquelas nações que ainda não se submeteram. Assim é como o Islamismo verdadeiramente vê o mundo!

Em contraste, a conquista de Canaã representa o justo julgamento de Deus sobre aquelas pessoas. O propósito não era fazê-los se converterem ao judaísmo! A guerra não foi usado como um instrumento de propagação da fé judaica. Além do mais, o extermínio dos cananitas representou uma circunstância histórica incomum, não uma habitual forma de comportamento.

O problema com o Islamismo, então, não é que ele tem a teoria moral errada; é que ele tem o Deus errado. Se os muçulmanos pensam que nossas obrigações morais são constituídas de mandamentos de Deus, então eu concordo com eles. Mas os muçulmanos e os cristãos diferem radicalmente sobre a natureza de Deus. Os cristãos crêem que Deus é um Deus amoroso, enquanto os muçulmanos acreditam que Deus ama somente os muçulmanos. Alá não tem amor pelos incrédulos e pecadores. Então, eles podem ser mortos indiscriminadamente. Além do mais, no Islamismo, a onipotência de Deus supera tudo, inclusive sua própria natureza. Ele é então absolutamente arbitrário na sua conduta com a humanidade. Em contraste, os cristãos sustentam que a natureza santa e amorosa de Deus determina seus mandamentos.

A questão não é, então, de qual a teoria moral está correta, mas qual é o verdadeiro Deus?

Traduzido e adaptado por Leandro Teixeira.

A história de Zac Smith